segunda-feira, 7 de outubro de 2013

DEVANEIOS - DE LEMBRANÇAS

MUITO CARNAVAL, POUCA VERDADE
Tenho Cara De Antigamente, Quando Memória Era Sinal De Vida Anterior
Trolebus Com "Torre" No Letreiro (Recife-PE)

LEMBRANÇAS DA VERDURA DOS MEUS POUCOS ANOS. MEUS PROFESSORES. ADMISSÃO AO GINÁSIO - D. ÁUREA PINTO, AFRO-BRASILEIRA COMPETENTÍSSIMA COM A SUA CRESTOMATIA EM MÃOS.  HISTORIA GERAL, PRF. CASTRO,   PORTUGUÊS QUE SÓ MOSTRAVA À CLASSE SEU PERFIL, E DE OLHOS FECHADOS DISCORRIA SOBRE A CIVILIZAÇÃO CALDEIA.  PRF. ARNALDO POGGI LECIONAVA QUÍMICA, COM SEU CORPO FRANZINO E  MUITO BRANCO E VOZINHA FRACA POR TER SÓ UM PULMÃO. DE ALVA BATA NOS LEVAVA AO LABORATÓRIO COM AQUELES FRASCOS E CHEIROS FORTES, PARA NOS APRESENTAR ALGUMAS SINISTRAS TRANSFORMAÇÕES.  D. ALBERTA, AMERICANA, NOS ENSINAVA ALGO DA LÍNGUA INGLESA QUE MALMENTE COMPREENDÍAMOS.  PRF. BALTAZAR, VERDOENGO POR NATUREZA, NOS ENSINAVA NAS AULAS DE DESENHO, EM CADERNO ESPECIAL, COM RÉGUA, COMPASSO E OUTROS ESTRUPÍCIOS, OS ÂNGULOS DOS TRIÂNGULOS, A PERSPECTIVA, NA UNIÃO DAS PARALELAS NO INFINIT QUE DAVA IMPRESSÃO DE PROFUNDIDADE E DISTÂNCIA. E FINALMENTE O CIRCULO, FIGURA GEOMÉTRICA, MAGNA, QUE REPRESENTA DEUS POR NÃO TER COMEÇO, MEIO E FIM.  PRFA. D. MIRIAM, NA CÁTEDRA DE FRANCÊS, COM SEU LÁBIO LEPORINO BEM COSTURADO E QUE NÃO A IMPEDIA DE FALAR COM BASTANTE COMPREENSÃO.  COMUNICOU A MEU PAI, COLEGA-PROFESSOR,  QUE EU FILAVA, QUANDO COLAR ERA FILAR, E DAÍ A REPRIMENDA SEVERA QUE RECEBI, VINDO DE QUEM VINHA.  MAS, QUE SAUDADES ESSAS LEMBRANÇAS TRAZEM!  LEMBRO-ME DO PROFESSOR DE GEOGRAFIA, UM BIGODE SEM NOME.  LEMBRO-ME DE MERVAL ROSA, UM NOME SEM MATÉRIA.  MEU PRF. DE PORTUGUÊS, O VELHO BARBOSA, QUE BATIA NO BIRÔ COM A PONTA DO INDICADOR JÁ DEFEITUOSO PARA ESTA FUNÇÃO.  LATIM TINHA COMO PROFESSOR O PASTOR ANTONIO MARQUES DORTA QUE NOS ENSINOU QUE A PRONUNCIA DAS VOGAIS ERAM ABERTAS, ERAM A, E, I, O, E U.  RUBEM CARNEIRO LEÃO NOS ENSINAVA MATEMÁTICA LOGO QUE DESMONTAVA DE SUA POSSANTE MOTO.  SÃO TANTAS AS RECORDAÇÕES QUE NÃO POSSO DEIXAR DE FALAR NO CHEIRO INTENSO DE OITI, QUE MESMO DEPOIS DE SECO E ENGELHADO COMO UMA TÁBUA DE COMPENSADO MOLHADA, AINDA EXALAVA VIDA.  OS PÚNHAMOS DEBAIXO DAS CARTEIRAS OU EM ALGUMA GAVETA ESQUECIDA E ALI FICAVA O CHEIRO DE CAB.

domingo, 6 de outubro de 2013

DEVANEIOS - DE COLONATOS

    RAZAO TINHA LEONEL BRIZOLA, EM 1944, QUANDO DA SALA DE UM HOTEL EM NATAL, RN, ENQUANTO VARGAS E O PRESIDENTE DOS EUA PASSSEAVAM DE JEEP, OLHANDO ALGUNS EMBAIXADORES AMERICANOS NO CAMPO, BLASFEMAVA!  SAO OS FISCAIS DE COLONIA.  AGENTES DA CIA DISFARÇADOS NA EMBAIXADA  ALIMENTAVAM A PRESSA DO XERIFE DO IRMAO DO NORTE EM QUERER ADENTRAR NO PAIS, ATE A FONTE DOS SERINGAIS QUE ABASTECIAM DE BORRACHA A NECESSIDADE BELICA DOS ALIADOS.  NOSSO DITADOR QUERIA MAIS ERA NEGOCIAR, E CONSEGUIU.  A CONSTRUÇAO DE DUAS BASES AEREAS, EM PARNAMIRIM, EM  NATAL, E EM IBURA, RECIFE.  UMA SIDERURGICA NACIONAL, CONSEGUIU.  E ENVIAR UM CONTIGENTE MILITAR, POR PURA VAIDADE, CUSTASSE VIDAS OU NAO DE ALGUNS EXPEDICIONAROS, CONSEGUIU.  OITO MESES DEPOIS ESTAVAM OS SOBREVIVENTES DE VOLTA, CANTANDO VITORIA.
    UM POUCO ANTES DE 1906 JA CHEGAVAM AQUI OS PRIMEIROS MISSIONARIOS ´PROTESTANTES DE UMA VARIEDADE RESPEITAVEL DE DENOMINAÇOES, ONDE OITO ENTRE ONZE ERAM MAÇONS E TODOS ATENDIAM COMO DOUTORES.  ESSA, UMA NOVA FORMA DE COLONIZAÇAO.  A FORMA DO CHICOTE, POLITICA MANSA E BOA VIZINHANÇA, FORAM ALGUMAS DELAS.  O PRIMEIRO PASTOR BRASILEIRO A RECEBER A UNÇAO, NAO DISPUNHA DE TEMPLO PARA TAL, ISTO EM SANTA BARBARA DO OESTE, SP, ENTAO VALERAM-SE DA OFERTA DE SEUS IRMAOS MAÇONS E REALIZARAM A CERIMONIA EM UMA DE SUAS LOJAS, TUDO NA PAZ DO SENHOR.
    TINHAM COMO TEM OS AMERICANOS, O DOM DE FAREJAR CORRUPTOS, E JUNTOS SE ENTENDEREM.  SEMPRE HAVIA DOLAR PARA TUDO, ATE DOLAR FURADO.NAO, NAO USARAM COM O VARGAS, MAS GUARDARAM O COSTUME PARA AMOLECER O BANQUEIRO MINEIRO EM FUTURO PROXIMO, USANDO OS SERVIÇOS DO EMBAIXADOR ABRAAHAM LINCOLN GORDON, QUE TINHA FAMA DE FALAR PORTUGUES SEM SOTAQUE, DANDO AO BRASIL VINTE ANOS DE DITADURA MILITAR, USANDO O JARGAO DE SEMPRE, NA EPOCA, DEFENDER-SE CONTRA O COMUNISMO..
    E, COMO DISSE O kOMEINI, LIDER MAIOR DA TEOCRACIA IRANIANA, ONTEM, AMERICANOS PELA SUA ARROGANCIA E SOBERBIA NAO SAO CONFIAVEIS.  ELES ESTAO EMBIOCADOS AQUI DESDE A SUA ENTRADA ATIVAMENTE NA SEGUNDA GUERRA, DURANTE E NO APOS,  APROVEITANDO A PRESENÇA DOS TAIS EMBAIXADORES-DOUTORES-MISSIONARIOS, A NOS EMPANTURRAR COM A SUA RELIGIAO, COM O SEU SABONETE, COM O SEU DESODORANTE, SUA COCA-COLA, SUA LINGUA,  SEU PODER, SUA MODA, SUA MUSICA, SUA CIENCIA, SEU CINEMA, SEU TEATRO, SEU GIBI, SEUS HEROIS DE QUADRINHOS, NOS TORNANDO AMERICANOS DE SEGUNDA CLASSE, SERVIS COMO DIZIA NOSSO MAGNO TEATROLOGO, COM COMPLEXO DE VIRA-LATA.  
    ESTA NA HORA, GENTE, DO CHEGA PRA LA.  PRECISAMOS DE AUTO-RESPEITO PARA RECLAMAR RESPEITO.  POLITICOS COM CURSO ESPECIFICO E BACHARELADO PARA EXERCER A PROFISSAO, PONDO A CORRER ESSA CORJA DE POLITICOS HEREDITARIOS OU MANDATARIOS.  O TEMPO E DOS JOVENS.  OS DO BEM ENCHAM AS RUAS SEM TEMOR.  OS DO MAL, FLAGRADOS COMO TAL, ENCONTREM SEU LUGAR NOS CCA, E VAMOS INAUGURAR O PARAISO DO EDEN, AQUI, ONDE ESTA O BRASIL.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

DEVANEIOS - DE METAMORFOSE

    Ovo, larva, casulo, borboleta.  É a Natureza trabalhando sólita.  Por isso éque se diz que Deus é mulher, ou seja, é feminina;  Ele, conhecido como Natureza, concebe, cria e dá à luz a sua criação.  Sobre uma folha que por algum tempo será a sua alimentação é posto um ovo, pela borboleta que já foi larva,formando este ciclo durante todo o tempo, no mundo.  O ovo gera uma larva que é o projeto de uma lagarta;  esta se encasula transformando a folha em casa e fornecedora de alimento pelo prazo da metamorfose de um ano;  a pupa ou casulo que também é a crisálida, no momento certo se rompe, apresentando à natureza uma bela borboleta, a mesma lagarta provida de asas, um lindo trabalho artesanal de beleza inenarrável, de cores e desenhos inimitáveis.  Quando a crisálida explui a nova e bela criatura, ela quer tornar ao lar seguro e conhecido, mas a Natura sopra ventos que a impede e desestimula a façanha, e a agora híbrida ave vai curtir e alegrar o ambiente renovado.  
    Esse processo metamorfórmico se repete em outras criações, a do homem, por exemplo.  A semente que fecunda o óvulo da mulher provoca neste momento a concepção, a união com um espírito almificado, ligado ao feto, que já está dentro do casulo que protege e alimenta pelo período de nove meses, e ai é apresentado ao mundo uma nova criatura a compor o ambiente.
    Este desdobramento se repete em todos os seres viventes que compõem o espaço sideral.  É a beleza replicante dos valores Divinos.  Infelizmente o homem, o top da criação é também o top da destruição, vilipendiando a tudo e a todos, com guerras e invenções agressivas à obra de Deus.  Bom seria que o homem acreditasse nos ditados populares, que emitem pérolas anônimas de sabedoria icríveis;  "O dia do muito é a véspera do nada".  "Você pode fazer o que quiser, mas não esqueça o guarda da esquina".  Por causa do seu desleixo quanto ao guarda, dia virá em que serás impedido de viver.  Esfalfa a terra até o esgotamento e depois  sem revolvê-la para reoxigenação, vai lá a procura de alimento.  O que ela te dirá?  
    

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

DEVANEIOS - DE 1940/1945 (06/11 anos)

Felicidade foi embora e a saudade no meu peito ainda mora...
O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que ele voa, quando começo a pensar...À Direita, a parte de baixo agasalhou seis anos da minha vida, dos seis aos onze;  na parte de cima moravam o Dr.Mein e D. Elisabeth, que me oferecia um refresco de manga que eu detestava, de burro que eu era.  Na esquina à Esquerda, a Igreja da Capunga, quando às vezes a mocinha que tomava conta da classe me chamava de impossível (impulsivo)  e não muito cortezmente atravessava a rua e ali na lateral me entregava a meu Pai;  Este me punha numa cadeira de espaldar altíssimo e esquecia de mim.  Eu dormia e acordava, com cãimbras e dores nas costas, me escorregava e saia cabisbaixo, e acho que ele fazia que não via.  Aquela rua era a Joaquim Nabuco e eu a chamava de rua sem fim.  Pela perspectiva da foto se pode ver no encontro das paralelas a malvadeza de me mandar diariamente percorre-la para ir à padaria.  Na minha cabecita de mandril, assim eu pensava e propunha à Deus:  Pai, se eu vou voltar palmilhando sobre meus passos, por que não permites que eu dê meia volta e pronto, já estou em casa! Pragmatismo de criança sonsa.  O Pai do Céu dizia não e eu cumpria minha obrigação de panificar a casa.  Ali eu tinha meu Tio Artur que me amava;  na verdade era pai e tio de criação de meu pai;  franzininho, branquinho, de barba e bigode brancos enormes, que me deu um chapéu de palha pequenino, que me contava histórias, eu deitado com a cabeça no seu colo, e ria e fazia algazarra, e eu o amava.  Ali, meu querido Tio Amaro, irmão de papai aparecia sempre, e no quintal de terra bem socada, onde havia um campo de vôlei, nós, digo eu  e três irmãos, fazíamos uma fogueira de galhos mas que não era acendida, e púnhamos frasquinhos de todos os tamanhos ao redor, com água diluída em papel crepon de variadas cores.  Meu Tio Amaro fazia desenhos com garranchos no chão, de rostos e cabeças, tão bonitos e que eu não deixava ninguém molestá-los, até a hora de dormir.  Na próxima manhã estavam lá, mas salpicados de umidade, tristes e olhavam para mim.  Mirtô, Marlu, eu e Élvio, todos numa sequência.  Que bom, que saudade.
Ali morreu meu Tio Artur, e sobre o ataude negro em letras prateadas estava escrito:  Artur Franklin Cavalcante Lindoso, e de mansinho foi-se abrigar no Cemitério de Santo Amaro.
Ali morava Dala, minha querida prima, Loide, idem;  Passou o Valdir, agregado, que matou a Sabiá, de badoque, deixando no seu ninho no alto da mangueira, filhotinhos pelados, friorentos e famintos, que morreram doidamente como órfãos.  Passava lá meu primo Lilo, que cantava e fumava lindamente. Minha outra prima Hosana, e Atenê, que tacava água oxigenada de cheiro fortíssimo e desagradável, e tornava-se a loira mais fenomenal no Colégio Americano Batista, o que me desagradava demais.  Sua amiga de fé, camarada, Irecê, não largava do seu pé, de olho no seu irmão, o Lilo.  Minha Tia Maria, acossada pela tísica, tão comum naqueles tempos, lá ficou sob a atenção pressurosa de meu Tio Luiz.  A convenção Evangelizadora, nos julhos chuvosos, no CAB, todo ano, e a Igreja de Olinda, dentro daquele casarão, para comer canjica e pamonha, e também milho verde.  Ah infância feliz, com alguns ticos de dor, mas que se eu pudesse aprisioná-la e não crescer nunca, podem crer, isso é o que eu faria.  Minha querida mãezinha, um metro e cinquenta de altura, e uma capacidade tão grande de distribuir alegria.  Pai do Céu, obrigado.

DEVANEIOS - DE DERBY E DE DEMÖCRITO

EXPLICO:  Carcamano, epíteto aplicado  aos emigrantes italianos que trabalharam no Café, na economia negra em São Paulo, que ao contrário, os ex-escravos  não tiveram essa sorte, capitalizaram-se e se estabeleceram nas zonas urbanas como comerciantes, nas feiras.  Tinham o hábito matreiro de puxar com as mãos o prato da balança para baixo, ludibriando o comprador. "calcar com a mão" projetou e consolidou seu apelido.
Lágrima é a voz muda do coração.
Continuando a descrição da Praça do Derby, depois do fiasco falado na memória anterior, vamos pelas bordas onde só passeia quem cheira bem.  É tudo um luxo só. Na larga avenida que divide a praça arborizada em duas, carros com capotas arriadas e a reboque um carrinho incrementado com um garoto novo exibindo poder.  Até o nome inglês escolhido para aquele espaço lembra os antigos albyons.  É uma corda de mocinhas em desabrocho, que só ri com a mão sobre a boca, que não torce o pescoço mas os olhos fazem ginásticas espetaculares para apreender a atenção da rapaziada, tmbém muito elegante e muito contida.  Festa de ladys e gentlemans.  Um hospital por trás das sombras,  Nas circunstâncias a Faculdade de Medicina e Odonto.  Lá adiante a extensão imensa do quartel de Polícia, o cheiro de Domingo e o sorriso azul do entardecer. Final do recreio, palmilho sem fúria, ao contrário de ontem, o SUAVE DECLIVE E ADIANTE O LEVE ACLIVE DA BAIXA VERDE.  CAMINHO DE CASA, PORTA DE CASA, DENTRO DE CASA, PAI, MÃE, IRMÃOS, FAMÍLIA E O CHEIRO DE CAFÉ, PÃO E MANTEIGA QUE RELAXA A ALMA.

DEMÓCRITO DE SOUSA FLHO, ESTUDANTE DE DIREITO, FORMANDO DE VINTE E QUATRO ANOS, DE FAMÍLIA TRADICIONAL A BASTADA, MORADOR DA MADALENA, LOGO APÓS A PONTE DE FERRO NO BAIRRO DAS GRAÇAS.  1945, PÓS TÉRMINO DA GUERRA, CARREGO MEUS DEZ ANOS PARA TESTEMUNHAR A SANHA DA VAIDADE E DO EGOISMO DE QUEM TEM FOME DE MANDO.  EM PLENA DITADURA DE GETÚLIO VARGAS, NO CHAMADO BRASIL NOVO QUE DUROU QUINZE ANOS, QUEM NÃO ERA DELE, INIMIGO ERA.  ERA CHAMADO PAI DOS POBRES, MAS MAIS PARECIA SENHOR DE BARAÇO E CUTELO, E SUA POLÍCIA EMPANTURRAVA O FORTE DAS CINCO PONTAS, COMO FIZERAM COM O FREI CANECA, TODOS INDICIADOS COMO INIMIGOS. NA VÉSPERA A ESTUDANTADA FAZIA O PERCURSO, A PÉ, DA MADALENA, JOAQUIM NABUCO, PARQUE AMORIM, BOA VISTA, SOLEDADE, PÁTEO DA FACULDADE DE DIREITO, MACIEL PINHEIRO, RUA DO HOSPÍCIO, RUA NOVA, PRACINHA NO PÁTEO DO DIÁRIO DE PERNAMBUCO, LEVANTANDO LOAS AO BRIGADEIRO EDUARDO GOMES, INSISTINDO EM ELEIÇÕES LIVRES, TENDO À FRENTE DEMÓCRITO, PRESIDENTE DA RECÉM INAUGURADA UNIÃO DOS ESTUDANTES.  TIROS, E NESSES MOMENTOS A VERDADE É A PRIMEIRA QUE MORRE.  NA SACADA, COUTINHO, GILBERTO FREIRE E DEMÓCRITO VÊEM SUCUMBIR AOS TIROS, MANOEL, HOMEM DO POVO, BRAÇAL DO PORTO.  A MULTIDÃO SE AGITA, MUITA ZOADA, E O DEMÓCRITO DESABA COM UM TIRO NA TESTA.  FIM DO ATO.  DIA SEGUINTE, UM FÉRETRO SEGUINDO O MESMO ITINERÁRIO DA VÉSPERA, NO CAMINHO DO CEMITÉRIO SANTO AMARO.  LUTO E   CHORO, E A DEMOCRACIA PAGANDO PEDÁGIO PARA SE ESTABELECER.  MENINOS, EU VI, TUDO ISTO EU VI, DA DA CALÇADA DO MEU CASARÃO, NO PARQUE AMORIM, 1501, QUE ESTÁ HOJE SEPULTADO SOB O HOSPITAL DA RESTAURAÇÃO.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

DEVANEIOS - DE CIRCUNVIZINHOS

Viajo por que preciso, volto por que te amo
Mulher feia e urubu comigo  é na pedra
De Frente-E-Igreja Da Capunga-D-Sobradão
Onde Morávamos No Térreo


EXPLICO

 Ambição é dom de Deus;  sem ela  não se vence.  Ganância porém, é o excesso de ambição, o aleijão de uma virtude.

    Já falei anteriormente do Parque Amorim, da Rua Joaquim Nabuco, da Igreja da Capunga, do CAB, do Pingalho e vou subindo a procura da Baixa Verde. Tudo isso em Recife, entre 1941 e 1945.  Na rua à Direita  eis meu destino de passagem de água;  a curva do chão era verdoenga, coberta de musgos, dando uma aparência doentia ao ambiente, carregando meus dez anos de vida.  Era realmente uma Baixa, como se tivesse a obrigação de contensão e   ali numa casa morava uma menina franzina, tanto quanto a mãe, minha colega de CAB, chamada Matanias,  nome Bíblico, em função da religiosidade da família, quase que como uma superstição.  Adiante era a casa  do meu amigo Gladstone, um baixinho gordo com óculos de lentes extremamente grossas, amulatado, também do CAB e filho de um Coronel da Polícia,  de pequena estatura.  Quantas vezes eu lá ia para ouvir no rádio as aventuras do Vingador no seu cavalo sobre duas patas trazeiras, segundo os postais e os reclames da Colgate-Palmolive, e também do Tarzan.  Na minha casa não tinha rádio.  Gladstone era consumidor compulsivo do X-9, uma revista de espionagem e crimes, com este investigador imbatível.  Não me agradava, pois não tinha retratos ou desenhos;  não era uma revista de quadrinhos.  De vez em quando eu filava um jantar que sua mãe servia, eramos todos bons vizinhos.

    Se fosse de dia e se fosse Domingo, eu passava embalado para o Parque do Derby, lugar de reunião dos ricos e da juventude de bom cheiro.  Lá existia um lago artificial para um peixe-boi, um bambual verde e estalante ao vento, com boa sombra sobre as águas.  Outro tanque no nível acima do chão continha piabas e eu levava um alfinete com a ponta retorcida ao jeito de um anzol, com uma linha amarrada abaixo da cabeça do grampo e enrrolada no meu pulso; tinha ainda no bolso um pedaço de pão surrupiado de casa, para usar como isca; era botar a mão dentro da água e puxar já com a piabinha se estabanando.  Era uma malvadeza de que hoje me arrependo e era vgiada por um funcionário que quando o avistávamos, desembalávamos na carreira.  Tinha lá todos os brinquedos tradicionais de um Parque, mas o qua mais me impressionava se chamava Loré;  era um balanço coletivo com uma madeira plana enorme e as cabeceiras onde ficavam suspensas a tal táboa.  Dois meninos grandes ficavam em pé de cada lado, sobre a gerigonça, num esforço contínuo pra lá e pra cá, indo a alturas delirantes; era uma algazarra e uma gritaria constante.  Muito menino ou menina tentava saltar amedrontados, e era sempre um risco.  Foi o que me  aconteceu;  e a ponta de um ferro rasgou-me a calça na lateral, não virando uma saia por que tinha uma entre-perna.  Sai correndo desesperado, com vergonha e com medo do que aconteceria em casa.  Corria e corria, querendo conter o choro, segurando a lateral aberta da calça, e a distância não diminuia.  Que verdade o ditado tem, de que a dor chega em enchurrada mas se esvai em conta-gotas.  Que demora em consumir a Baixa Verde e enveredar no rumo de minha casa.  Lá chegando, em convulsão de medo, a figura protetora de meu querido Tio Artur me acolheu  e me consolou e me confortou.  Para redimir a calça rompida,  que o meu Tio poderia fazer?  Não sei, mas ele fez e meu Pai não tomou conhecimento dessa trela, e como estou aqui esbaforido, deixei para descrever o resto do Derby, na próxima memória.  Que bom lembrar.  "O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa, quando começa a pensar"?

DEVANEIOS - DE AMBIGUAÇÃO EM DESAMBIGUAÇÃO

Quem procura, acha
Tenho cara de antigamente;  sou do tempo em que chiclete era chicle
Sou do tempo em que bala era bom-bom ou confeito
Manaus-Am-Netos-Tãcio E Byron

SÓ EXPLICANDO

 Qual a diferença entre frango e viado.  Década de cincoenta;  invertidos sexuais não tinham trejeitos feminis;  vestiam-se normalmente com palitó e gravata e atacavam dissimuladamente  COMO FERAS SOBRE RAPAZES ADOLESCENTES, PROSTITUINDO-OS EM TROCA DE ALGUNS TROCADOS.  GERALMENTE EM SESSÕES DE CINEMA  QUANDO SENTAVAM NO BANCO VIZINHO À VÍTIMA JÁ ESCOLHIDA NA PENUMBRA DA ENTRADA.  GESTO SINGULAR: QUANDO O FRANGO TIRAVA O PALITÓ, COLOCAVA SOBRE O COLO, E NA SOBRA ESPARRAMADA SOBRE OS JOELHOS DO COBIÇADO  IA POR BAIXO A MÃO INSOLENTE DO CAÇADOR.  DAI O NÚMERO EXORBITANTE DE VIOLÊNCIA E ATÉ MORTE DESSES SUJEITOS, COMO UM CASTIGO DOS MOLESTADOS POR TEREM CEDIDO A ATOS ABOMINÁVEIS QUE LHES IMPORTUNAVAM A CONSCIÊNCIA.  
    FRANGO ERA PINTO ADOLESCENTE NO GALINHEIRO ONDE O GALO ÚNICO E DOMINANTE  O CONFUNDIA COM TODA A RESTANTE COMUNIDADE, E TINHA O MAU COSTUME DE USAR A TODOS, COMO SE TODOS FOSSEM USÁVEIS.   COMO O FRANGO MESMO A CONTRA-GOSTO DAVA, O INVERTIDO DANDO, TOMOU-LHE O NOME.

    NOS ANOS    DOURADOS A TRINA SÉRIE DE JAMES DEAN, QUANDO ADOLESCENTES ERAM REBELDES SEM CAUSA E IMPORTUNAVAM A SOCIEDADE, ERAM ELES CHAMADOS DE JUVENTUDE TRANSVIADA, NADA TINHA A VER COM HOMOSSEXUALISMO  MAS ERAM UM GRUPO À PARTE, COMO ESTES TAMBÉM ERAM.  ENTÃO, SUPRIMINDO O "TRANS" , SOBROU O "VIADO", TAMBÉM GRUPO ISOLADO E QUE ASSIM FOI COGNOMINADO.  AQUI NO BRASIL, DADO A SONÂNCIA FONÉTICA, O SIMBOLO- IMAGEM DO ANIMALZINHO SALTITANTE PASSOU A SER O "LOGO" DESSA CLASSE.  Então, prestem atenção:  Viado, para os homossexuais.  Veado para os bichinhos de Deus.