segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

DEVANEIOS - DE EL CHAPO

Tenho Cara de Antigamente, Quando Mar De Almirante e Terra de General Eram O Mesmo Que Céu De Brigadeiro
TUDO DEMAIS, ATÉ BELEZA, CANSA



El chapo está no noticiário.  O maior traficante de drogas preso no México, executa sua terceira fuga. 
Finalmente recapturado depois de muitos quilômetros  de rastejo por um túnel, para ser entregue aos interesses da polícia americana.  Estou aproveitando o fato para relembrar uma ideia minha referente à reforma prisional no Brasil.  A criação de um próprio construído em vertical, com celas de 2.5 Mts X 3, individuais e indevassáveis, um CCA (Complexo de Casa de Apenados).  Únicos contatos com seu advogado em espaço separado por vidros e servido de fones.

Com médico, usando uma sinaleira específica pra isso, e uma vez por mês para corte de cabelos e barba. Já estará previsto a imposição de um novo tipo de cidadão, totalmente dependente do Estado durante o cumprimento integral da apenação.  Se tiver um cônjuge livre, este poderá individualmente requerer divórcio e independente disso, todos os laços parentais ficarão suspensos até a libertação do indiciado.  O único modo de tentar a fuga, mas com zero por cento de improbabilidade de sucesso, será corrompendo agentes prisionais que sempre disporão de contentores linguais contra os tagarelas.

O apenado poderá ter o perdão de até 1/4 de sua pena, dependendo da complexidade da operação, mediante doação de órgãos, atendido pelo nosocômio anexo ao Conjunto onde haverá ainda, Fórum Judicial, todos funcionando em três turnos de oito horas, nos 365 dias ao ano.  O  projeto prevê um CCA em cada das 27 capitais da Federação, mais um no DF e mais 27 nas segundas cidades mais populosas de cada Estado, num total de 53 em todo o País.  Uma rede porosa formidável com convênio com todas as universidades nacionais.

Esses convênios têm possibilidade de se estender até para Universidades de outros países, para ganho de todos e do mundo inteiro, creio eu.  Teremos à disposição um avião-ambulância e um helicóptero-idem em cada aeroporto de cada capital, afora as ambulâncias e possivelmente lanchas-socorro, de prontidão.  A internet abastecida de todas as informações pertinentes à essas necessidades.  Vejo ai um grito de modernidade em um setor tão importante quanto a saúde.  O respeito adquirido pelo Brasil no contexto internacional será impagável.




quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

DEVANEIOS - DE O TEMPO

Tenho Cara De Antigamente, Quando Exalar Era Coisa Que Só Podia Ser Captada Pelo Olfato
                   DE VIETNÃ, CUBA E CHINA SÓ FICOU O CHEIRO DO COMUNISMO

Cronus Castra Coelus

Numa linguagem figurada a exalação pode figurar algo concreto.  O tempo é abstrato mas não pode ser captado pelo olfato.  O que é o tempo?  É o espaço entre o agora e o daqui-a-pouco.  Também pode ser a distância entre o ontem e o amanhã.  Obrigatoriamente cabe em uma medição.  Ao contrário do que se pensa ele não é móbil;  é paradão, e as circunstâncias é que se movem ao seu redor.  Nós, é que, para facilitar a compreensão de qualquer coisa, sempre precisamos personificá-la.  Mas, como criar um personagem para configurar o tempo?  Divinificando-o.

Pois então foi o que fizeram os gregos, inventando a divindade chamada Cronus, que tinha uma aparência rotunda com um pequeno ventre saliente e ficava nas trilhas dos campos em distâncias que ele mesmo gerenciava, com seu poder multiplicador.  Sempre de braços cruzados e parecendo mal humorado, porém de olhos espertos observando a mudança no corpo dos humanos que começavam a envelhecer a partir do momento em que eram entregues à luz.  Ele não participava nestas mudanças, apenas as notificava.  E quem inventou essa história de que o tempo está passando?

Os linguarudos, pra falar mal do Tempo.  Urano ou Coelos depois da castração promovida pelo filho Cronus, impotente perdeu também o poder e foi internado no Tártaro.  Cronus subiu ao Olimpo e receoso de ter o mesmo destino do pai começou a fazer o mesmo que ele, comendo os filhos que nasciam:  Os segundos, minutos, dias, semanas, quinzenas, meses anos etc...  Novamente a mãe pede socorro aos filhos, novamente outro caçula invoca os Titâs irmãos, os Hades, Netuno e se juntam ao Zeus e expulsam o pai do trono, encarcerando-o também no mesmo Tártaro.

Assim, as mitologias das várias gerações vão sendo imitadas no decorrer da vida, com pequenas alterações tanto como adaptações diante de cada modernismo aparecente.  Zeus apronta todas, o céu se aparta da terra que limita os lugares das águas e tudo é envolvido pelo Éter.  Estamos agora num planeta que respeita o tempo que não é mais o Cronus mas tem a sua cadência.  É-se criança,  torna-se adulto, entra-se na senilidade e volta-se para o etéreo.  É-se dependente, brinca-se, trabalha-se, envelhece-se e se fenece.





terça-feira, 5 de janeiro de 2016

DEVANEIOS - DE TRECHOS INCONSEQUENTES

Tenho Cara De Antigamente, Quando "Mão Na Roda" Era Estar No Caminho Certo
QUANDO SE PEDIA UMA PENA E SE RECEBIA UMA GALINHA

israel X Palestina

Nada é inconsequente na Natureza, inclusive a população humana. A cada ação corresponde uma reação.  Talvez o escrevinhador queira que inconsequência equivalha a vanidade.  Digo, foi "bola Cheia", quando minha empreitada deu toda certa.  Chamo de "coisa à toa" tudo que me parece inferior, "Estar à toa", é estar sem governo.  O entendimento é de que "toa" é um pedaço de corda na popa de uma embarcação puxando no reboque, qualquer coisa.  "Uma mosca sem valor pousa ca  mesma alegria na cabeça de um doutor, como em qualquer porcaria". (Antônio Aleixo)

"Levado Da Breca" era um menino impulsivo a quem se   chamava de impossível.  Dizia-se que tinha azougue, era azougado, e azougue é a corrutela de mercúrio, o único metal líquido na Natureza.  Pois bem, "Madeira do Rosarinho" é um bloco carnavalesco lá em Recife-Pe, com quase ou mais de cem anos de vida.  Juízes não lhe deram ganho num desfile e nosso Alceu fez-lhe uma letra musical, assim:  É madeira que  cupim não rói, madeira-de-lei.  Quem não entende a história fica em brancas nuvens, fica voando, fica abestado. É assim, simples como amar.

"Vixe" e "Nossa" são formas de idiotismo regional referindo-se à Virgem Maria e Nossa Senhora.  Eu tenho três irmãs;  duas são funcionárias públicas e outra não funciona mais.  História besta para boi dormir, leseira pura só para encher o papel.  Nulidade de conversa, coisa inconsequente.  Se o chorar era muito era porque pouca era a alegria.  És um fósforo queimado atirado ao chão foi uma forma de desprezo quando pra se fumar usava-se aquilo, hoje despreza-se cuspindo para o lado. Ambos sã velharias como se eu disse-se agora:  Vou ligar a vitrola ou a radiola.

O escravo da insônia é um meditante olhando a hera verde na parede, os cacos de garrafas sobre o muro, pensando nas urtigas de um atalho que apressa a chegada aonde vai, e nos carrapichos impertinentes para também querer ir contra sua vontade, nas pernas das calças ou nas saia das mulheres.  Eventualmente pisar numa poia de merda de um cagão ou de um cachorro.  Esta me dando trabalho produzir esses trechos inconsequentes ou vãos.  Se não gostaram, eu também não gostei, mas é que o mundo não respeita vácuos.  Tolo é quem chafurda na tolesmia.





segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

DEVANEIOS - DE "DELÍRIO"

Tenho Cara De Antigamente, Quando  "Levado Da Breca"  Era Impulsivo
DELÍRIO ERA LOUQUICE

Zeus

Nua, mas para o amor não cabe pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.
E, em frêmitos carnais, ela dizia:
--Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, minha boca obedecia,
E os seus seios, túrgidos mordia
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em gritos
--Mais abaixo, meu bem!  --num frenesi

No seu ventre pousei a minha boca,
--Mais abaixo, meu bem!  Disse ela, louca,
Moralistas, perdoai!  Obedeci...

OLAVO BILAC

11) Entrega



Um beijo desce pelo corpo

passeia pelas pernas

beijando cada dedinho
do pé sobe pelas
curvas das ancas
deslizando no
meio das
nádegas
serpenteando
pelas costas
acima
até atingir a
nuca afastar
teus cabelos
tornear tuas
orelhas buscando
teus lábios abertos.
Encontro de línguas
em fogo e mãos que
descem aos seios teus
mamilos em minha
boca teu arfar em meu
coração minha alma em
teus braços.
No meio de tuas pernas
o cheiro perfumado do 
prazer atrai meu encaixe
que busca tua entrada que 
acolhe sem pensar 
em mais nada..

anônimo









domingo, 3 de janeiro de 2016

DEVANEIOS - DE "PLEBISCITO"

Tenho Cara De Antigamente, Quando Crestomatia Era Livro Do Curso De Admissão Ao Ginásio
HOJE É QUINTA SÉRIE

Árvores Exóticas

PLEBISCITO - Artur Azevedo


A cena passa-se em 1890. A família está toda reunida na sala de jantar. O senhor Rodrigues palita os dentes, repimpado numa cadeira de balanço. Acabou de comer como um abade. Dona Bernardina, sua esposa, está muito entretida a limpar a gaiola de um canário belga. Os pequenos são dois, um menino e uma menina. Ela distrai-se a olhar para o canário. Ele, encostado à mesa, os pés cruzados, lê com muita atenção uma das nossas folhas diárias. Silêncio.  De repente, o menino levanta a cabeça e pergunta: 

— Papai, que é plebiscito?

O senhor Rodrigues fecha os olhos imediatamente para fingir que dorme.

O pequeno insiste: 

— Papai?

Pausa:

— Papai?

Dona Bernardina intervém: 

— Ó seu Rodrigues, Manduca está lhe chamando. Não durma depois do jantar, que lhe faz mal.

O senhor Rodrigues não tem remédio senão abrir os olhos. 

— Que é? Que desejam vocês?

— Eu queria que papai me dissesse o que é plebiscito.

— Ora essa, rapaz! Então tu vais fazer doze anos e não sabes ainda o que é plebiscito?

— Se soubesse, não perguntava.

O senhor Rodrigues volta-se para dona Bernardina, que continua muito ocupada com a gaiola: 

— Ó senhora, o pequeno não sabe o que é plebiscito!

— Não admira que ele não saiba, porque eu também não sei. 

— Que me diz?! Pois a senhora não sabe o que é plebiscito? 

— Nem eu, nem você; aqui em casa ninguém sabe o que é plebiscito.

— Ninguém, alto lá! Creio que tenho dado provas de não ser nenhum ignorante!

— A sua cara não me engana. Você é muito prosa. Vamos: se sabe, diga o que é plebiscito! Então? A gente está esperando! Diga!...

— A senhora o que quer é enfezar-me!

— Mas, homem de Deus, para que você não há de confessar que não sabe? Não é nenhuma vergonha ignorar qualquer palavra. Já outro dia foi a mesma coisa quando Manduca lhe perguntou o que era proletário. Você falou, falou, falou, e o menino ficou sem saber!

— Proletário — acudiu o senhor Rodrigues — é o cidadão pobre que vive do trabalho mal remunerado.

— Sim, agora sabe por que foi ao dicionário; mas dou-lhe um doce, se me disser o que é plebiscito sem se arredar dessa cadeira!

— Que gostinho tem a senhora em tornar-me ridículo na presença destas crianças!

— Oh! Ridículo é você mesmo quem se faz. Seria tão simples dizer: — Não sei, Manduca, não sei o que é plebiscito; vai buscar o dicionário, meu filho.

O senhor Rodrigues ergue-se de um ímpeto e brada: 

— Mas se eu sei!

— Pois se sabe, diga!

— Não digo para me não humilhar diante de meus filhos! Não dou o braço a torcer! Quero conservar a força moral que devo ter nesta casa! Vá para o diabo!

E o senhor Rodrigues, exasperadíssimo, nervoso, deixa a sala de jantar e vai para o seu quarto, batendo violentamente a porta.

No quarto havia o que ele mais precisava naquela ocasião: algumas gotas de água de flor de laranja e um dicionário...
A menina toma a palavra: 

— Coitado de papai! Zangou-se logo depois do jantar! Dizem que é tão perigoso!

— Não fosse tolo — observa dona Bernardina — e confessasse francamente que não sabia o que é plebiscito!

— Pois sim — acode Manduca, muito pesaroso por ter sido o causador involuntário de toda aquela discussão — pois sim, mamãe; chame papai e façam as pazes.

— Sim! Sim! Façam as pazes! — diz a menina em tom meigo e suplicante. — Que tolice! Duas pessoas que se estimam tanto zangaram-se por causa do plebiscito!

Dona Bernardina dá um beijo na filha, e vai bater à porta do quarto: 

— Seu Rodrigues, venha sentar-se; não vale a pena zangar-se por tão pouco.

O negociante esperava a deixa. A porta abre-se imediatamente.

Ele entra, atravessa a casa, e vai sentar-se na cadeira de balanço.


— É boa! — brada o senhor Rodrigues depois de largo silêncio — é muito boa! Eu! Eu ignorar a significação da palavra plebiscito! Eu!...

A mulher e os filhos aproximam-se dele.

O homem continua num tom profundamente dogmático:

— Plebiscito...

E olha para todos os lados a ver se há ali mais alguém que possa aproveitar a lição.

— Plebiscito é uma lei decretada pelo povo romano, estabelecido em comícios.

— Ah! — suspiram todos, aliviados.

— Uma lei romana, percebem? E querem introduzi-la no Brasil! É mais um estrangeirismo!...


Á UM ARTISTA ASSIM, DEUS DEU CRÉDITO DE 53 ANOS DE VIDA PARA PASSEAR AQUI

DEVANEIOS - DE "A NOIVA"

Tenho Cara De Antigamente, Quando Existia A Crestomatia
SER POETA ERA SER UMA ALMA QUE SE VIA

Esta é Uma Árvore (Acreditem)

De Artur De Azevedo

"Tu és a flor;  As tuas pétalas
Orvalho lúbrico molha; 
Eu sou  flor que se desfolha
No verde chão do jardim"

Têm por moda agora os líricos
Versos fazer nesse estilo...
--Tu és isso, eu sou aquilo,
Tu és assado, eu sou assim...

às negaças deste gênero,
Carlotinha, não resisto;
Vou dizer que tu és isto,
Que aquilo sou vou dizer;

Tu és um pé de camélia,
Eu sou triste pé de alface,
Tu és a aurora que nasce,
Eu sou a fogueira a morrer.

Tu és a vaga pacífica, 
Eu sou a onda encrespada.
Tu és tudo, eu não sou nada,
Nem por descuido doutor;

Tu és de Deus uma lágrima,
Eu sou do suor um pingo,
Eu sou no amor u o gardingo,
Tu hermengarda no amor.

Os fatos restabeleçam-se,
Ó dona dos pés pequenos:
Eu sou homem -- nada menos,
Tu és mulher -- nada mais;

Eu sou funcionário público,
Eu tinha esposa bem cedo.
Eu sou Artur Azevedo,
Tu ér Carlota Morais.

A  Um Poeta Assim Deus Deu Crédito De 53 Anos De Vida Para Passear Neste Planeta




sábado, 2 de janeiro de 2016

DEVANEIOS - DE MORBIDEZ EVANGÉLICA

Tenho Cara De Antigamente, Quando se dizia "É O Fim Da Picada"
DE PRAGAS DO EGITO

Rapinantes

O crescimento exagerado destas seitas evangélicas fincam-se em duas necessidades:  Há realmente uma clientela imensa para ser atendida pelo apelo fisiológico da necessidade religiosa da pessoa humana, na equivalência dos percentuais das classes sociais e da ignorância dessa membresia.  Em segundo, há para essa demanda um grupo expressivo de pilantras, bem falantes como são os escroques, e bem servidos de uma aura de profeta, para depenar esses patetas ingênuos.  Oferecem-lhes um espetáculo circense como substituto das novelas de TV.

A doutrina da prosperidade é a isca mais poderosa para trocar o suado cofrinho de barro por uma lucratividade que nenhuma bolsa, no mundo, oferece.  Esse ensinamento que a IURD usou  é imitado pelos novos bispos, pastores, irmãos, profetas, apóstolos, uma imensidão de títulos pomposos, para puxar como saca-rolha até a alma do mendigo da fé.  São esses vilões, empreendedores bem educados nessa arte, donos de sua igreja que em breve será uma rede.  Agora serão também donos de todas as mídias possíveis e de agência de turismo para levar seus crentes ao pouso original do Cristo.

Têm até agência de propaganda para atender aquele fiel mais ladino que realmente flutuou no sucesso do seu negócio.  Já vi aqui, num templo fajuto, uma faixa de pano, do teto até o chão, onde anunciava "aqui faz-se milagres".  Na praça da polícia, um pastor conseguia manter na calçada um desgraçado e lhe dava sopros no ouvido gritando:  Sai, Exu-caveira, espírito maldito.  Um bêbedo vindo, para e sopra-lhe no outro ouvido gritando:  Não saia não, a praça é do povo como o Céu é do condor, e assim desmoralizou o ambicioso pastor com as palavras do poeta do Navio Negreiro.

Assim funciona a ação dessas novas seitas.  Um desses líderes falou que não poderia pessoalmente abençoar com as mãos  seus fiéis, por isso manchou-as com tinta e lambuzou umas centenas de toalhas brancas e pequenas e vendeu-lhes por $10  cada benção, ainda perorando que poderia entregar três por %25.  Canalhão.  E os compradores, todos, são uns zé Meião.  É triste e ridículo se explanar isso, mas vocês sabem e vêem todos os dias esses bochichos.  Todos esses usos são crimes e quanto essas igrejas pagam ao fisco, por esse comércio?  Neca.