quarta-feira, 4 de maio de 2016

DEVANEIOS- DE MEUS NOVE ANOS (1) (040514)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Aos Nove Anos Está-Se Descobrindo O Mundo
ESCORREGOS ACONTECEM NESTA IDADE

domingo, 4 de maio de 2014


DEVANEIOS - DE MEUS 9 ANOS - (1) (040514)

Minha Casa à  D, Parque Amorim, 1501, Recife - PE, entre 1940/1946
Ao Centro 
Rua Joaquim Nabuco, onde desfilou o féretro de Demócrito e os pracinhas da FEB
à  E, Igreja da Capunga

M E M Ó R I A



Mirtô e Marlu, Edélvio (eu) e  Élvio -1943 (quatro irmãos)
Em Baixo, Edélvio (eu), Marlu, Élvio e atrás Mirtô

Em Baixo, (eu) Edélvio, o biografado


Estou ai, sentadinho em cima de meus nove anos, doido para voltar `'a minha normalidade impulsiva, mesmo quando me taxavam de "impossível".  O joelho casquento me entrega.  A cara de anjo é um disfarce da minha incomodação, desde que me cortaram as asas.  Vejam que chique que me fez o Davi, seminarista (protestante) no seu internato e na sua maldita timidez de alfaiate;  aquele escudo bordado colorido sobre o bolso do paletó;  a camisa de seda e a minha inocência mesmo assentada num azougue.  Eu era feliz, menos quando estava no castigo;  meu pai não tinha noção do tempo no uso da palmatória e se a apenação fosse ficar sentado numa cadeira de espaldar altíssimo, permitia-me um travesseiro sobre as coxas, as costas me doíam, eu dormia, me agachava sem descer daquele trono e ele não se comovia e acho que tinha amnésia.

Esse conjunto me acompanhou por muitos anos;  ao domingo, o levava ao banheiro e o punha sobre uma cadeira.  Aos gritos cantava "Helena, Helena vem me consolar" e levava um tempo imenso naquele desentoo e me esfregava com muito sabonete Eucalol, depois que guardava suas estampas com a mitologia grega toda impressa, que "seu" Edgar da Loja Azul lá em Olinda,  guardava pro seu freguês quando eu ia lá pagar o que devia.  Esse hábito de respeito pelo patrimônio alheio que guardo até hoje, é a resposta desse ato de conluio de meu Pai com o "seu" Edgar que nos dava conta de crédito avalizada e nos incutia seriedade nas relações comerciais.  `'A cada um dos quatro irmãos que deixava de urinar no colchão, Papai nos dava uma cama "Patente", linda de viver. e a minha era "cinta azul".  Eu tinha sensibilidade de navegar nessa coisas de cada dia e saboreava seu valor, com devoção.

O risco que corre o pau, corre o machado e meu conjunto que tanta alegria me dava na Escola Dominical, nos autos de Natal e tudo mais, foi testemunha de algum fato muito triste e fortemente registrado por mim, naquela infância-adulta.  Nós quatro éramos livres para ir onde quisesse;  Naquele tempo, não fosse a guerra, que não nos impressionava com seu valor funesto, tínhamos Paz Social, isto é, não se via a hediondez e brutalidade que se vê hoje.  Eu ia com meus nove anos e voltava sem arranhá-lo.  Cumprida as obrigações religiosas da manhã do domingo, saia eu com meus mistérios, segredos só meus.  Uma coisa confesso, em se tratando de memórias, em nossa casa não se via muita afetividade, era cada um por si, assim eramos os quatro, cada qual com seus amigos pelos quatro cantos.  Almocei e sai com meu terno branco;  domingo, dia morto, tudo sem vida.  Passei em frente da Igreja da Capunga, fechada.  Fechados os portões imensos do CAB.  Na lateral da igreja, o Pingalho fechado, mórbido com o cheiro que vazava por baixo da entre-porta, de aguardente ardida que os bêbados jogavam ao chão em louvor dos espíritos.  Lá adiante entornei `a direita;  A Baixa Verde, um baixio lodento, insalubre, sempre úmido e molhado.  Lá morava Mathanias, minha colega de CAB e também Gladstone, um gordinho atarracado, mais velho que eu, filho de um coronel da Polícia, também baixinho;  seu filho era míope severo, consumia perenemente X-9, revista de detetives e sem desenhos que nem me agradava, mas ele me deixava ouvir num rádio de baquelite, que tinha de se esperar que aquecesse as válvulas para ter som, e um cheiro bom invadia a sala, as aventuras de Tarzan e O Vingador.  Que boas memórias essas.

La adiante estava no Jardim do Derby, passeio lorde de recifenses classe A.  Minha mentira era um bico de pão dormido em um bolso e uma linha em torno do pulso que descia com um alfinete encurvado e preso à linha pela cabeça, onde eu punha sobre a água de um grande tanque que lá havia começando do chão até meu peito e eu olhando pro céu solenemente deixava o guarda passar por minhas costas.  Piabas enchiam aquele tanque e curtiam pão dormido e por sua gulodice perdiam também a vida.  Quanto pecado meu para uma tarde de domingo!  Que Deus me perdoe e também a piabinha;  não tinha eu noção do assassinato que cometia, para depois deixá-la morta na areia.  O castigo viria já.  Andava, corria, olhava tudo, sempre sozinho, sentia a brisa e o vento no bambual e ia até o loré.  Era uma enorme tábua com duas alças em cada cabeceira, com um meninão grande de cada  lado impulsionando-a às alturas e o miolo cheio, cheinho mesmo, de meninos;  e quem estava lá no meio?  Eu, de paletó e tudo;  com medo, mas aguerrido.  Uma gritaria insana e lá eu me despenquei e o ferro da alça rompeu a lateral de minha calça de alto a baixo.  Eu berrava, mas de vergonha, de poder ter as minhas vergonhas expostas.

Corria com uma mãozita segurando as duas abas do que agora mais parecia uma saíta.  E fazia o inverso do passeio;  Derby, Baixa Verde, Pingalho, Capunga, CAB  e entrando de chofre casa
à dentro, num choro copioso, mas agora do castigo que poderia ter.  Quem estava lá, como meu anjo guardião, era meu Tio Artur, branquinho, franzinozinho, de roupa branca no seu comum, de barbas e bigodes brancos e de um coração-ternura do tamanho de uma mãe.  mandou-me trocar de roupa e providenciou o conserto daquela traiçoice sem que ninguém mais soubesse;  e me deu colo, me deu afago, apertou-me a mão;  e que angústias não cessam com tal emplastro?

DEVANEIOS - DE PREÁS (040515)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Criar Preás Era Diversão De Crianças
CASCABULHO ERA O GURI GAUCHO

Dois Cascabulhos Inocentes

segunda-feira, 4 de maio de 2015


DEVANEIOS - DE PREÁS (040515)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Impulsivo Era Levado Da Breca
TAMBÉM PODIA SER CHAMADO DE IMPOSSÍVEL

M E M Ó RIA
Sertão-Cozinha Limpíssima Numa Casa De Sapé

sábado, 21 de setembro de 2013


DEVANEIOS - DE PREÁS

    Entre meus seis e onze anos, 1941 e 1946, ai pelo meio.  Parque Amorim, 1501, Recife-PE.  Era um casarão antiquíssimo com térreo, onde morávamos e no primeiro andar onde moravam o Pr. John Mein e D. Elisabeth. Tudo ali era antigo, grande e sólido.   Para se por à janela existiam degraus de cimento dentro da casa até a altura de por o busto à  vista.  No quintal com mangueiras copiosas de manga espada e manguito, que a família inteira não dava conta de consumir;  nós quatro, cascabulhos, como nos chamavam, vendíamos numa bacia enorme para cada um, aos operários passantes que iam para o Cotonifício da Torre. Nunca fomos enganados.  No quintal havia um antigo banheiro, sem uso, cujas bordas davam a parecença de uma banheira;  poi foi ali que aninhamos nossos preás;  não sei de quem ganhamos;  eram azeviches, alvíssimos ou rubros, ou uma média dessas cores;  quase nenhum barulho.  suas fezes não cheiravam mal, pois só comiam enormes folhas de bananeira e capim que íamos buscar até um pouco distante, num terreno baldio com muretas muito baixas. Mas como comiam esses roedores, valentemente e o tempo todo, do mesmo modo como se reproduziam; Os presentes que dele fazíamos não davam refresco pela fartura da reposição.  Muito tempo alegrou nassas vidas;  Levantávamos pela manhã e lá estávamos para acarinhá-los  e isso sem canseira;  com uma comunhão de vida entre inocentes e animaizinhos, que creio eu  agradava muito o Nosso Senhor.  Tivemos que nos desfazer deles já que não eram viandas para se digerir, já que esgotaram-se nossos amiguinhos que já estavam com o mesmo problema que nós.  Não me lembro como fizemos, se talvez os tenhamos levado para soltar lá na fonte onde catávamos o seu alimento, mesmo os expondo a perigos de outro animais se alimentarem deles;  Deus deve tê-los provido, como bom Pai.  Está ai, sr. Jil, a vida na infância de seus três tios, ca sua mãe, que numa hora de enfado, quando tentávamos destruir o fundo de uma gaveta grande, atirando-lhe tijoladas, a tal moça resolveu mirar nos meus dedões, dedinhos dos pés.  Esmigalhou-me a unha e sobrou para d. Maria da Venta Chata, uma querida negra agregada à nossa casa, com a carapinha branca, branquíssima, parecendo bom-bril, não fosse a cor e o fato de que naquele tempo isso nem existia. Esse Anjo devotado levou-me escanchado sobre os ombros, à pé, ida e volta, do Parque Amorim à Jaqueira, distância descomunal.  Oro por ela, hoje.  Assistiu meu clorofórmio e as denguices que deveriam ser ouvidas pelo pai ou pela mãe. Deus abençoe a todos.




terça-feira, 3 de maio de 2016

DEVANEIOS -DE ZEFA ARUBÚ E ZÉ MOUCO

Tenho Cara De Antigamente, Quando Alienados Já Passavam Incógnitos Entre Nós
BEM DITO,  NÓS OS VÍAMOS SEM QUERER ENXERGÁ-LOS

Mão,Quando É Mãe

M E M Ó R I A-1947

Quero resgatar, com vergonha e com tristeza, uma obrigação não feita, nestas lembranças que me ocorrem sempre, nestes sessenta e nove anos passados, da D. Zefa e do Sr. Zé, que  os via, como se não os visse, e sequer nas minhas orações me lembrasse deles, levando em conta que nem pessoalmente ou fisicamente os registrasse como participantes de minha paisagem.  A maldade humana já é presente desde a infância, mesmo que só por imitação, quando eu olhava e cuspia à vista do estrupício de gente, vizinho quase próximo, envolta em trapos mal-cheirosos.

Arrastando chinelos que de nada a protegiam, se baixava procurando pedras que não existiam, provando que nos via e que esse era seu protesto, mais do que suas necessidades.  Quanto ganhávamos por fazer aquilo e quanto ela perdia por se ver assim?  Todos os dias ela fazia aquele trajeto, subindo e descendo a rampa que a levava ao baixo do beira rio, da maré do Capibaribe, casebre de taipa sobre a lama negra e empedrada, reluzente, com um papelão como porta, um único espaço e mais nada.  Não sei o que havia ali dentro, se algum anjo zelava por ela.

Se ela comia, se descomia;  se se banhava, isto acho que não.  Ela não esmolava;  quem era o seu sustento?  Vivia naquele rito, muito precisando mas sem mais querer, mas se me via, como não via o tempo passar;  teria ela esperança, teria paciência, teria paz, teria Deus?  Deus que perdoe à nós crianças que cuspíamos desprezo e nojo à um talvez anjo caído, mas mesmo na nossa inocência não sentíamos o cutucar mínimo de uma ternura qualquer.  Identidade:  Ela era Zefa Arubú, conhecida de todos e por todos desprezada.  Alienada e só, sem paixão e sem filosofia.

E o Zé Mouco.  Este alienado total, egresso do mesmo endereço incerto, escondido, sem se esconder.  O que comia, quando comia?  Um copo de aguardente que o vendeiro lhe dava, não sei se lhe cobrava. Ele não ouvia e não falava, grunhia com a boca muda e contorcia constantemente o corpo, indo até o chão e subindo, levando a contorção ao rosto, ele era totalmente ausente;  sua alma só lhe provia a vida, mas não lhe dava rumo.  Este é um mundo de provação, que cada um cumpra seu "scripit".  Deus o retome na volta.  Zefa, Zé, perdoem-me com seus corações.  Não acho que mereça.

DEVANEIOS - DE MEUS 12a. (030515)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Fazer Memória É O Que Estou Fazendo
ISSO ACONTECEU HÁ 69 ANOS ATRÁS

Nu Indelicado

domingo, 3 de maio de 2015


DEVANEIOS - DE MEUS 12 ANOS (030515)

Tenho Cara De Antigamente, Quando a brincadeira No Colégio Era "Passe Adiante"
UM TAPAÇO VIOLENTO NO MEIO DO JUÍZO
Nóis se levantava furioso, com as mãos fechadas e as munheca em punho e ouvia o bom-conselho, "passa-adiante", e na moral, como era o costume, nóis se sentava, assoprava as pontas dos dedos e de cara mansa levantava e corria a vista à procura de um abestado pra cumprir o mandado. Isso era todo o dia e não se levava isso pra casa e sobra o prazer de 68 anos depois, hoje, dando uma risada de banda, estar aqui, batendo pra tu bater pra quem quiser.  Ah, ia esquecendo;  a irmã da mãe da minha mulher, a tia dela se chamava Altair e era a tia Taica.  Lá por 57 chegou a notícia que ela, que morava no Rio, saiu de casa de manhã para comprar cigarros e nunca mais voltou.  Deve ter sido mais uma indigente enterrada, no mundo.  Posso chamá-la vez em quando, de Taica?  Agradeço seu retorno, nem imagina quanto, pena que seus dias de escrever como amadora sejam só nos domingos.


sábado, 18 de outubro de 2014


DEVANEIOS - DE MEMÓRIA

MEUS 12 ANOS
Domingo, 16 de junho de 2013
Bairro da Torre, rua José de Holanda, 157-ano 1947

1978-Belém-aos 45a.-(eu-edélvio)-c/Glauce e Thomzinho

Tenho Cara De Antigamente, Sou Do Tempo Do Bar Savoy, Em Recife-Pe
O SAVOY SERVIA CHOPP EM CANECA DE VIDRO FOSCO TRABALHADO
Não é um diário de Ane Frank. São divagações que se meu retrovisor do tempo permitir, posso curtir saudades. Às vezes, um espelho mal esfregado, uma pequena TRINCA AO LADO, UM EMBAÇO, UM FIO DE TEIA SEM CONVITE, DETURPA UM POUCO A IMAGEM, MAS AS VERDADES DOS FATOS EXISTEM E É A MINHA VERDADE.
BIU TÔCO
CHEGOU VIZINHO NOVO. CASAS FRENTE A FRENTE, E DIFERENTE DOS FILMES AMERICANOS, AQUI NÃO HÁ O COSTUME DE A VIZINHANÇA ATACAR COM PRATINHOS COMO BOAS VINDAS. LÁ ESTAVA O CAMINHÃOZÃO E DA CABINE DESCIA UM TICO DE HOMEM. VINHAM DE LIMOEIRO. COM O TICO ESTAVAM OS FUTUROS BIU TÔCO E A MARIA TAMANQUINHO. HOJE, REVERTENDO O TEMPO, DOU MINHAS LOUVAÇOES À GENTE TÃO HUMILDE, PELO CUIDADO DE PRESERVAR PRO BIU UMA VAGA NO CAB, COLÉGIO AMERICANO BATISTA. SERIA MEU COLEGA E MEU PAI, O PASTOR LÍVIO LINDOSO, SERIA O LECTOR, NUM ENCONTRO DIÁRIO DE MEIA HORA ANTES DO RECREIO, NUMA  REUNIÃO CHAMADA LECÇÃO. MEU PAI, NUM COLÉGIO REPLETO DE JUDEUS, ERA CHAMADO DE SINAGOGA. Nunca soube se ele sabia disso. Voltando a nosso terreiro, a meninada jogava bola, na verdade uma bola de borracha furada que quando chutada ela se 

encolhia e quando voava tornava a se encher. Era muito bom, mas meu pai não podia saber disso. O terreno baldio se chama Campo do Cavalo Morto. Quando meu pai voltava das aulas, passava por esse mesmo caminho como um atalho de alguns kms; todos paravam o jogo e,
ele que sofria de uma miopia severa, me enxergava mas não me via. Minha vida de criança era divertida. O Biu Tôco era, na nossa linguagem, socado, isto é, pequeno, parrudo e forte, e jogava pesado nas divididas; eu achava que era provocação. Vai aqui uma confissão; em casa, de noite, eu chorava de raiva do medo que eu tinha dele; eu me questionava, não aceitava a minha covardia e resumia: o máximo que pode me acontecer é ser morto mas, isso não vai ser. Decidido. No dia seguinte NÃO LHE DEI CHANCE, ENTREI DE EDÉLVIO QUEBRA BARRACO E O BIU TÔCO SE AFROUXOU. APRENDI QUE MUITA  COISA NA VIDA SE GANHA NO GRITO, MAS ÀS VEZES O GRITO É MAIS DEFESA E MENOS VERDADE.
VASINGUITON

OUTRA VIZINHA, NUMA RUA PARALELA, TAMBÉM COM UM FILHO NO CAB. A ALEGRIA DELA FOI AFETADA QUANDO SOUBE QUE NO COLÉGIO TODOS O ESTAVAM CHAMANDO DE WASHINGTON. LÁ FOI ELA COM SUA AUTORIDADE DE MÃE E DEFENDEU O FILHO DIANTE DE PROFESSORA, DIRETORA, SECRETÁRIA E COLEGAS; O NOME DO MEU FILHO É VASINGUITON. NÃO ME VENHAM COM HISTÓRIA DE UOCHITO. ASSIM FOI O ENTREVERO E NÃO ME LEMBRO DO DESFECHO.
MANETA
AINDA, NA TORRE, PRÓXIMO À MARÉ, ISTO É, MARGEM DO RIO CAPIBARIBE A CAMINHO DA FOZ. COMO OS RIOS CORREM NA PARTE BAIXA, DIGO QUE UMA PARTE DOS MEUS  FUTUROS COLEGAS SUBIAM A RIBANCEIRA E SE ABANCAVAM NA CALÇADA ALTA DA MINHA CASA. EU  ERA O CRENTE, ÊLES: MANETA, DA BALA, BIU TÔCO, HERNANDES, CIÇO, TÃO E EGÍDIO. ESTE, O APOLO NEGRO QUE MORAVA NA RIBANCEIRA ALTA DO RIO, NUMA CASA COM PÁTEO DE FRENTE DE MASSAPÉ PRETO, BRILHANTE, SOCADO E LIMPO, COM GAIOLAS PENDURADAS COM GALOS DE CAMPINA, CANÁRIOS, PINTASSILGOS, CURIÓS E O MAIS QUE SE IMAGINAR, NUM ORFEÃO DE CORES E DE SONS. TRINADOS QUE O AMARELO MANGA DO CANÁRIO ESTREMECIA NO GOGÓ, O CANTO LONGO E CURTO DO PINTASSILGO BRANCO E PRETO, O VERMELHO SANGUE E BRANCO DO CARDEAL, A COR CINZA MARRON DOS CURIÓS QUE TRINAVAM LIRICAMENTE. QUE BELEZA, QUE DA LONA COLORIDA DE UMA PREGUIÇOSA QUE ME OFERECIAM, EU ME DELEITAVA. ERAM TODOS, UMA FAMÍLIA CORTEZ QUE NOS RECEBIA E TRATAVA COM RESPEITO. CHEIRAVAM A SAL E A MARÉ, MAS ERAM ELES. NA ÁGUA CHEIA, E ISTO ACONTECIA DUAS VEZES NO DIA DE VINTE E QUATRO HORAS, O EGÍDIO SALTAVA MAJESTOSO, DE UMA ALTURA QUE EU ACHAVA ENORME, COMO SE FOSSE UM PERFIL CONTRA UM SOL MORRENTE. CERTA VEZ, COM A MARÉ ALTA, O RIO PARECIA MUITO MAIOR DO QUE O NORMAL, O MANETA ME CHAMOU PARA IR, SEGURANDO NOS OMBROS DELE, ATÉ O OUTRO LADO DO RIO. NO MEIO, ELE MERGULHOU E EU FIQUEI SÓ, E FOI ASSIM QUE APRENDI A NADAR. NO OUTRO LADO,  TERRENOS DE MUROS ENORMES, DE BARÕES DA ALTA CLASSE, COM BURACOS MUITO GRANDES, PARA A ÁGUA ENTRAR. POR ESSE BURACO PASSÁVAMOS NÓS. LÁ DENTRO MUITA MANGA ROSA E MANGA ESPADA DE CHEIROS FORTÍSSIMOS E CONVITE. EU VIA OS RAPAZES PASSAREM CORDÕES NOS TORNOZELOS DAS CALÇAS E ENCHEREM TUDO DE MANGA, DA CINTURA AOS PÉS. AH, IA ESQUECENDO: O EGÍDIO ERA O GUARDADOR DAS LANCHAS ENORMES DOS BARÕES DAQUELES TERRENOS, E DE INTEIRA CONFIANÇA E RESPEITO DELES. POR FIM, EU TINHA DOIS CALÇÕES IGUAIS E SEMPRE DEIXAVA SÓ UM NO VARAL; NESSE DIA MEU BANHO DE MARÉ, QUE FOI MATINAL E VESPERTINO ME DENUNCIOU. MINHA MÃE DESCOBRIU A ARTIMANHA E O PAU COMEU.

SE ALGUNS DE VOCÊS SÃO DOS BAIRROS TORRE-MADALENA E NÃO EXPERIMENTARAM  ISSO, AGORA NÃO TEM MAIS. A VIDA É EGOÍSTA, DÁ E TOMA. O SABIÁ DA MINHA MANGUEIRA O VALDIR MATOU DE BADOQUE, AI QUE DÓ. O GALO DE CAMPINA O GATO COMEU QUANDO ESBAGAÇOU SUA GAIOLA. O CANÁRIO FUGIU, O PINTASSILGO SUMIU E O CURIÓ A SAUDADE LEVOU. ADEUS INFÂNCIA, TENHO SETENTA E OITO ANOS E TENTO ME SEGURAR NAS LEMBRANÇAS.
E O MANETA, E O DA BALA, E O TÃO E O CIÇO, E O HERNANDES E O EMÍDIO, ONDE ESTÃO VOCÊS? O NIEMAYER QUE JOGOU A TOALHA AOS CENTO E DOIS ANOS, DISSE QUE AOS SESSENTA ANOS COMEÇA A FASE DAS DESPEDIDAS. .ESTOU ESPERTO E COMO SOU ESCRIBA, NO PRÓXIMO ENCONTRO VOU VOMITAR MEMÓRIAS.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

DEVANEIOS - DE CUIDADO GLOBO (020515)

Tenho Cara De Antigamente, Quando O Ontem Não Era O Hoje
E O HOJE NÃO SABE COMO SERÁ O AMANHÃ

Pássaro Livre E Em Paz

sábado, 2 de maio de 2015


DEVANEIOS - DE CUIDADO GLOBO

Tenho Cara De Antigamente, Sou Do Tempo Do Sal De Frutas ENO
E AINDA, DO ISQUEIRO ZIPPO
Minha Bi Giovanna E O Tio GT


domingo, 30 de junho de 2013


DEVANEIOS - O DE SEMPRE + DIVERSOS (2)

    Continuem, continuem a imprimir o jargão: Que é 2,5mts por 3 ?  Deixem que ele impregne a memória coletiva.  É uma cela com aquelas medidas para fundo, lado e altura, individual e indevassável, no CCA (Complexo de Casa de Apenados), com o propósito de  aliená-los do ambiente social durante a pena que cumprirá integralmente.

EXCESSO DE PRODUÇÃO

    A Rede Globo está assim, tem material prá mais de ano, entre bons e maus programas.  Sai empurrando madrugada a dentro, que horror, depois de "Pé na Cova", peça de má qualidade, algum outro programa mais palatável.  Nesse azáfama melhor seria instituir outro canal, para competir em família. Isso mesmo.  Os viciados em TV, os insones ou com outras deficiência, como sofrem.
    Vamos então elogiar uma coisa interessante que a Globo cultiva. O respeito e a atenção a seus artistas bom caráter em decadência.  Nunca ficarão ao desamparo.  Tantas caras conhecidas, que já foram eminência na Rede, estão hoje no Zorra. Até o Chico Anísio passou por essa situação, no seu declínio.  O Shermann cuida disso.  Eu acho maravilhoso esse trato empresarial, embora o tratado talvez, reconhecendo o início do seu ostracismo, fique abalado na sua vaidade.  Paciência, é melhor assim do que o sereno. Parabéns Globo e muita força moral para os que estão inclusos neste programa.

Há quase dois anos foi composto esse ensaio.  Parece-me que emergiu ai, um louco ou doente mental, seja na família propietária ou no alto escalão da produção artística que deliberadamente quer exibir seus xiliques homossexuais e corromper o já combalido equilíbrio do comportamento nessa sociedade.  Nota zero pra vocês e um fim de governo manchado de escárneo por não coibir este  abuso numa TV aberta, sob alegação de arte, na verdade imoralidade.  Que, se ainda há um resto de gente com dignidade e noção, por ai. que junte num saco esse montão de pervertidos e toque-lhe fogo, mandando-os para i inferno.  O Brasil precisa de respeito, pelo bem ou pelo mal.

HUMOR DESQUALIFICADO

    Que pena que se confunda humor com descaro e escracho.  O que seria um chiste descambou para imundície, exploração de homosexualismo no estilo mais desmoralizante, no desbocamento, palavrão e gestos enojantes.  Não é próprio para exibição a crianças e nem é programa de família.  Como é possível um canal de TV disponibilizar seu  espaço para uma esbórnia desse talento  Aquele espetáculo não faz rir, ele deprime.  O sr.gentili, homem de um tamanho avantajado, com fala de criança, com uma atividade pregressa com alguns enrroscos, deveria procurar uma trouxa de roupa prá lavar, assim se posicionando profissionalmente.  

SAQUEAMENTO DOS APOSENTADOS

    Vi as queixas dos aposentados da Varig, todos hoje na faixa acima dos setenta anos, alegando a perda de 8% de seus proventos. É triste e vergonhoso o tratamento dado pelo Estado a seus velhos.  No INSS é mais deprimente ainda.  Assim: Um amigo meu, quase simbiótico, de setenta e oito anos, sem voz nem sindicato, assiste a um ministro da previdência, do jeito como está escrito, no minúsculo, incompetente ou alheio e desinteressado pela sorte que não a sua ;  uma lei travessa que desvinculou, para fins de cálculo do valor das aposentadorias , o salário mínimo, com valência a partir da publicação da tal lei, já que lei não recua.  O que foi concedido prá trás é direito adquirido.  Esse benefício, desde novembro/85, concedido e informado por carta ao beneficiário foi no VALOR de 4.53 salários mínimos, hoje igual a 3071,34 reais.  Ele recebe apenas 43.05% disto, igual a 1322,31 e a meta governamental é ir reduzindo anualmente este percentual até o valor de um salário mínimo.  Dai, não pode ser menor.  56.95%,, 1749,03, estão confiscados para as boilsas-família, essa enganação que ainda fica desviada no meio do caminho \para estelionatários ligados a prefeitos e quejandos.  Esses velhinhos são os heróis que vasam para o exterior  a fotografia do grande coração  do Poder Maior do Brasil em tirar da miséria milhões de infortunados.  Mentiras sobre mentiras.  Apresento à Dilma, uma sugestão de bom velhinho, para o espírito dela, cristão ou não, de uma ex-guerrilheira, hoje bombeira de marca maior.  Agradeça ao Lula, o milagre a si concedido de chegar a tamanho patamar mas, neste segundo mandato, se acontecer, seja você a responsável por tudo que acontecer.  Mande, administrativamente reembolsar os 56,95% tungados de sua aposentaria, pagos de uma única vez, já que o tempo de vida dele é escasso e imponderável.  Pense na sua biografia.

LATROCÍNIO EM UM MENOR

    Seis bandidos, quatro com passagens pela polícia, entre menores e maiores.  A brutalidade do ato, de uma criança de cinco anos de idade, ter sido assassinada, no colo da mãe.  Vai se dar a autoria do fato a um dos menores, como é comum acontecer aqui por essas paragens?   A hediondez desse crime é só do assassino ou do grupo solidário que urdiu a cena e cada um coadjuvou o acontecimento?   Como a Justiça julga isso?  Mequetrefes roubam valores da mãe e a vida do filho. Se forem menores serão poupados da infâmia, se maiores, cumprirão um quinto da pena e ganham a rua em seguida.  Esse  regime está falido, queira Deus.  Sonho em vê-los no CCA, com cumprimento da pena, sem regalias. Ajuda-nos Senhor, dá-nos políticos sérios e vocacionados, ágeis e inteligentes que sintam orgulho de si próprios pelo trabalho realizado.  Que a Justiça seja justa;  desculpem-me o pleonasmo.  A vida sempre nos apresenta um cardápio de drama e tragédia como este.  As comédias nesta vida ingrata são raríssimas e muito do seu sem graça.

HIERARQUIA NA NOBRESA

    Nessa ordem,  Marquês com seu marco, Duque com seu ducado, Conde com seu condado e Barão, o único que não dispõe de terra, é uma espécie de guarda-livros dos que podem enfeudar.  Na cauda vem os Cavaleiros, nobres combatentes a cavalo.  O resto é resto.  Os Reis ungidos pelo Papa, enfeudava os nobres em suas terras que por sua vez, encastelados em planaltos de centro donde pudesse em círculo vislumbrar as suas posses.  Ficavam rodeados de muros com um grande portão e vala profunda onde lançava uma ponte falsa sempre que entravam ou saiam séquitos.  nas muralhas as ameias vigiadas por flecheiros.  Os camponeses na várzeas eram meieiros na produção agrícola  e de gado e ainda forneciam buchas de guerras, quando a Igreja Católica(universal) Apostólica Romana requisitava de seus nobres, que arrebanhavam de seus serviçais, para lutarem a pé nas cruzadas constantes contra o Islã e outros pretensos  inimigos.  Essa era a rotina e a linha do segmento que abastecia os costumes.
    A Monarquia absoluta sobreviveu até a extinção na guilhotina, de Maria Antonieta e Luiz Quatorze, no advento da República, a Coisa Pública, laica, isto é, separada da Igreja.  O Governo Secular e a Sacra Igreja se não  fossem antagônicos eram paralelos. Muita morte e o símbolo foi a queda da Bastilha, uma torre onde se encarceravam os inimigos dos Reis até o esquecimento.  Políticos e Ladrões tinham-se em comum.  Hoje ainda poderia ser assim, para nossa segurança.  Uma coisa interessante aconteceu quando um conde, católico roxo, crente confesso da fé católica, que acreditava na unção papal da sagrada realeza.Seu nome era Joseph-Marie de Maistre e cunhou este frasismo: "(Cada povo tem o Governo que merece), quando a República se firmou e a Monarquia feneceu.

ORAÇÃO

    Pai do Ceu, meu Jesus, meu Divino Espírito, obrigado por tudo Senhor;  Obrigado por ontem e por hoje. Guia-me pelas tuas veredas, cuida de mim, me protege contra o mal, habita em mim, atua sobre mim, purifica minha alma  e faz de mim um homem do bem.  Abençoa todos por quem te peço todos os dias;  abençoa o Paragominas,o Comandante Barros e o Albânio, Senhor, pessoas especiais na minha vida.  Abençoa o Gil, Senhor, ele precisa muito de ti.  ABENÇOA O JOÃO VITOR, PAPAI, MAMÃE E THOMSINHO;  TAMBÉM O BYRON;  ABENÇOA O BRASIL, CUIDA DOS HOMENS QUE VÃO CUIDAR DE NÓS, AMÉM.  RECEBE NA TUA MORADA SENHOR TODA ESSA GENTE QUE É  ARREBATADA BRUSCAMENTE, DOLOROSAMENTE E SEM AVISO PRÉVIO.  AQUELA MULTIDÃO DE SÍRIOS AOS MILHARES;  MEU DEUS O ALGOZ DESSA GENTE, QUE SENTIMENTO TEM? ELE NÃO SE SENTE RESPONSÁVEL? NÃO TEM UM DEUS A QUEM PRESTAR CONTA?  O POVO PALESTINO, MEU DEUS, MASSACRADO PELOS SEUS MEIO-IRMÃOS, DE MANEIRA BÁRBARA, CONFRONTANDO-SE RELIGIÃO CONTRA RELIGIÃO, NÃO SE DANDO CONTA QUE TU ÉS UM DEUS SÓ!  PAI, RECEBE ESSAS ALMAS QUE MIGRAM COLETIVAMENTE, VOLTANDO À SUA ORIGEM.  ABENÇOA-NOS E CONFORTA-NOS.  AMÉM, AMÉM.
    MUITAS VEZES EU FICO PENSANDO, COM REFERÊNCIA A ESSES PALESTINOS QUE EU AMO TANTO, E QUE SÃO ASSACADOS POR ESSE ESTADO TERRORISTA  DE ISRAEL, SEM DÓ NEM PIEDADE, AINDA ALEGANDO PROMESSAS TUAS A SEU PAI ABRAÃO.  A ABSURDIDADE E A TORÇÃO TOSCA DA VERDADE EM NOME DA VAIDADE, DO ORGULHO E DA GANÂNCIA NESSA GUERRA DE ESTADO ARMADO CONTRA UM POVO CUJA ARMA É SUA PRÓPRIA VIDA, DÁ-ME ASCO, NÁUSEAS , VONTADE DE VOMITAR E ME SINTO INUNDADO POR UMA GRANDE PIEDADE.
    \BOM, EU PENSO NESSES DRONES, AVIÕES TELEGUIADOS, QUE MATAM SEM O RISCO DE RECEBER MORTE, DE VOLTA. OS ALIADOS INCONTESTES DESSES JUDEUS SEM ALMA, SÃO OS AMERICANOS, TERRORISTAS COMO ELES E MAIS TORPES QUE ELES, TALVEZ.  EU VEJO EM DESCAMPADOS, MINIATURAS DESSES AVIÕES DE COMANDO À DISTÂNCIA.  EU PENSO, SE ALGUM PAIS COM O CONTROLE DESSA TECNOLOGIA, QUISESSE FORNECER FRACIONADO, ASA D, ASA E , BICO, CORPO, CAUDA, , TUDO ENTÃO,  MOTOR, AOS PALESTINOS E ELES COM UM GPM MARCASSEM O ROTEIRO DESDE O PONTO DE LANÇAMENTO ATÉ O ALVO ESCOLHIDO POR SUA IMPORTÂNCIA, INFESTASSEM O SEU INIMIGO POR TODOS OS LADOS, CONSTANTEMENTE, CAUSANDO-LHES GRANDES E IMENSURÁVEIS BAIXAS, NÃO SERIA UMA VANTAGEM E TANTO, TANTO COMO VINGANÇA COMO GANHO DE CAUSA!  POIS É, EU SONHO COM ESSA POSSIBILIDADE E EXULTARIA SE ISSO  PUDESSE EXISTIR.

A CRIAÇÃO

TODA A CRIAÇÃO ANIMAL DE DEUS É DETENTORA DOS MESMOS CINCO SENTIDOS, PARA SE ORIENTAR, SE PROVER E SE DEFENDER. O HOMEM, OS ANIMAIS, AS AVES, OS PEIXES, ADAPTADOS PARA GRANDE PROFUNDIDADE, MÉDIAS E RASAS, GRANDES VÔOS EM VÁRIAS ALTITUDES ATÉ O VÔO RASO DA GALINHA, SOB A TERRA, ONDE FOR.  NA CABEÇA VAI SE ENCONTRAR  A VISÃO, A AUDIÇÃO, O OLFATO E O PALADAR QUE EU ME AUTORIZO A SUBSTITUIR PELA ORALIDADE, SENDO O TATO, NOS HUMANOS, NAS MÃOS,  E NOS OUTROS ANIMAIS NO CORPO TODO COMO NOS RÉPTEIS, E NOS CAVALOS, POR EXEMPLO, EM TODO O CORPO ONDE ELE TREMELICA ONDE SENTE A PICADA DO INSETO.  A DIFERENÇA ENTRE O HOMEM E AS DEMAIS CRIAÇÕES ESTÁ NO CHAMADO LIVRE ARBÍTRIO, NOMESINHO CHATO: PODE-SE DIZER, O DIREITO DE DIZER EU  QUERO, EU NÃO QUERO  E A CAPACIDADE RACIONAL DO HOMEM DE FAZER TUDO QUE OS OUTROS ANIMAIS FAZEM, CRIANDO OS INSTRUMENTOS PARA ISSO.  ELE VOA, ELE MERGULHA, ELE SE ENTERRA.
OS HOMENS TÊM UMA ALMA PRESA À CARNE QUE ANTES ERA UM ESPÍRITO LIVRE E QUE DEPOIS DA MORTE A ALMA TORNA A SE ESPIRITUALIZAR, LIVRE NOVAMENTE, DO CORPO.  DADA A SEMELHANÇA DOS SENTIDOS EM TODOS OS ANIMAIS, EXCETO A RACIONALIDADE DO HOMEM, ACREDITO QUE OS ANIMAIS EXTRA-HOMEM TÊM ALMA., E QUE UM DIA, PELA GRAÇA DE DEUS, DANDO-LHES RACIONALIDADE, VIREM HOMENS.
A  CARNE GERA A CARNE, MAS O ESPÍRITO NÃO GERA ESPÍRITO.
NUM NINHO DOMÉSTICO HUMANO OS IRMÃOS LEMBRAM OS IRMÃOS E OS PAIS, MAS OS COMPORTAMENTOS SÃO MUITO INDIVIDUAIS; PODEM HAVER OS QUE SE AFINAM, MAS O CONTRÁRIO TAMBÉM É VERDADE.  HÁ O ALFA E O ÔMEGA, O QUE BRILHA E O QUE É APAGADO, ETC.,  O PLANO DIVINO SE REALIZA ALI, TODOS SE PRECISAM ENTRE SI.  O RUDE PRECISA DO BOM;  O BOM É ATORMENTADO PELO RUIM; UM MANDA, O OUTRO OBEDECE;  UM ATORMENTA, O OUTRO APASCENTA.  TODOS PRESTARÃO CONTAS EM SEU RETORNO AO ETÉREO.
    ESTOU CANSADO; QUEM SABE AMANHÃ EU CONTINUAREI COM ESSE TEMA.  OBRIGADO.

DEVANEIOS - DE PRAÇA DO ENTRONCAMENTO

Tenho Cara De Antigamente, Quando em 1947 Já Existia Esta Praça Em Recife
EU TINHA 12a E ESTAVA NO SEGUNDO GINASIAL

Menininha distribuindo Milho No Galinheiro

Prestem atenção que só há frangotes neste galinheiro.  A Praça do Entroncamento estava, hoje, indo no sentido das costas do Hospital da Restauração, no seguimento logo após a entrada da rua à direita, onde está o Clube Português.  Era um jardim bastante longo onde existiam árvores de troncos muito grossos e as copas fechadíssimas, há uns 3 ou 4 metros de altura, que dada a proximidade delas, não passava luz do sol, dando a sensação de frio, por todo o tempo.  Num momento  a prefeitura fez ali uma feira livre muito limpa e agradável onde se vendiam facas-quicés com bainha em couro. 

As ruas adjacentes, largas, eram arborizadas com Jambos-do-pará de cor vermelho escuro mas o miolo branco e maciço, tão grandes que era muito, para uma criança.  Voltávamos do CAB pro bairro da Torre onde morávamos, numa patota, um trajeto distante, já que os passes do bonde haviam virado picolé.  Zoávamos, mas antes entrávamos no Clube Português para apanhar cajás, muitos, que púnhamos naquelas embalagens de palha em forma de cone que vestia garrafas de vinho nas festas que ali haviam.  Seriam Emídio, Vasington, Antônio, Bil Toco, meus colegas?  Não lembro nomes.

Feita a coleta pro refresco pro almoço, íamos aos gritos e pinotes como meninos alegres que éramos.  Passávamos pelo Colégio Agnes, internato presbiteriano  de meninas cujo diretor era pai de George, nosso colega, futuro piloto da Varig.  Próximo _a Ponte-de-Uchoa, onde ficava o Museu com suas velharias muito interessantes, dobrávamos à esquerda para passar sobre a ponte de madeira que nos levava à Torre.  Pronto, terreno do Cavalo-Morto por onde entrávamos e passávamos pelo oitão de uma casa que permitia isso à quem quisesse.  Lá, rua José de holanda, 156,  onde eu morava.

Emídio ficava na casa de sua irmã Neusa, onde morava seu pai que era garçom no Clube Português.  Eu ainda passava na carvoaria onde trabalhavam meus amigos Tão e Ciço que tanta saudade me deixam, até hoje.  Chegado em casa eu cantava esganiçadamente para que Neide, a vizinha com namoro de criança soubesse que eu havia chegado.  Ali moramos três anos e aos quinze de idade fomos para o Cajueiro onde eu, como "impossível", eram assim chamados os impulsivos, me formei no aprendizado que era tudo que meus pais não queriam.  Isso é o curso da vida que não controlamos.




domingo, 1 de maio de 2016

DEVANEIOS - DE BANILO E DE BANILA (010514)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Me Lembrava De Contos De Criança
E AI VAI UM DESSES CONTOS

Lindo Pássaro Multi-Colorido De Quem Eu Não Sei O Nome

quinta-feira, 1 de maio de 2014


DEVANEIOS - DE BANILO E DE BANILA

TENHO CARA DE ANTIGAMENTE, SOU DO TEMPO EM QUE MULHER MENSTRUADA ESTAVA NAQUELES DIAS
1943-Recife-Pe-~Élvio-Marlu e Mirtô-8-10-11 anos
Venha cá c a cá.  Não vou v o vou.  Votes, cê tá me ouriçando, seu menino? Tô não senhó re-a-ra.  Parece que é bes te a tá.  Apoi fum fê u fum.
E era assim nessa arenga que eu e minha irmã se desentendia.   Nós não se gostava, mas nós se queria.
 Ela puxava meu cabelo e eu beliscava sua barriga, ela foi ficando moça e eu continuava menino.  Que chatice;  eu me espichava, e nada;  ela se empinava lá em cima e lá atrás também, e eu falava ora engrolado e depois afinava e isso me dava uma raiva medonha.  Ela mangava ni mim e eu chutava a canela dela.  Ela deu pra cantá, desafinava e tava metida a dondoca;  já queria andá de misampli, esperimentava um bolero e saia se rebolando em cima duns cambito fino; arre.  A gente dormia num quarto só; como a gente só vivia de mal, de cortar de a vera o  maior-de-todos em cima do fura-bolo, tinha por lei que deitar e dormir de costa um pro outro, e assim era.  Mas eu gostava dela, com raiva mas gostava, e de noite me esquecia que era homem e chorava, bem devagarinho prela não ver.  E todo o dia era a mesma coisa;  ela puxava meu cabelo e eu dava beliscão na bunda dela.

Um dia eu adoeci, fiquei amarelo e disseram que eu ia morrer;  a requenguela desabou e duas lágrimas escorreram na cara dela.  Eu na rede e com um olho só, espiava a coisa ruim, sem acreditar.  Lá vinha ela com uma rodela de queijo do sertão e empurrava na minha boca, com uma doçura que quase me arrancava um dente.  Ai, desgraçada, tu não tem pena de um penitente que tá na hora de ir para a Casa de Deus?  Não?  Monstra desnaturada. Vocês sabe o que ela disse?  Eu sabia, ela num gostava de mim, e olha só!  --tu é um bebé chorão, escarradeira de hospital, quizila de todas as quizila,
oi mamãe olha o lube, oi mamãe olha ele, com a roupa dos outro dizendo que é dele--

A malvada me afrontou na hora da minha morte;  vou me vingar, não falo mais com ela;  sirigaita;  e fechei os olhos pra não ver a hora chegar;  me deu uma fraqueza, um desmorecimento, eu já chorava de saudade dela, da desgraçada.  Fui abrindo os olhos de pouquinho e de repente, que susti;  os dois olhos dela estavam dentro dos meu;  dei um grito, dei um pulo, ela puxou meu cabelo e eu belisquei as náguina dela;  fizemo as pazes e não morri mais.

Cada um tem o irmão que merece, emagreci, espichei, falava grosso e ela nunca mais pegou na minha carapinha;  ela ficou uma moçona, pontuda na frente e atrás, virou namoradeira e nunca mais ficamo de mal.  Ela queria gritar pra mim, e eu na hora dizia:  olha o respeito.  Ela entendia e não queria que eu morresse novamente;  saia, cabeça baixa e voltava com um queijo do sertão, duas rodela, e botava na minha boca, debaixo do meu bigode, e me deu vontade de levar ela pro Céu.