domingo, 25 de setembro de 2016

DEVANEIOS - DE (CONTINUAÇÃO) DE PROCESSO (2)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Deus Atua  Sob A Lei De Ação E Reação
ISSO SÓ PODENDO MODIFICAR-SE MEDIANTE SUA MISERICÓRDIA
Trapalhões-Saudades

quarta-feira, 25 de setembro de 2013


DEVANEIOS - DE PROCESSO (2)

Não existe verdade absoluta, existe verdade de cada um
O que faz um Judeu?  Judia
Manaus-Am-Emily-edélvio e Glauce-Casamento (?)-1981
    Falando da relação provocada pela Criatura com o Deus Criador, tenho a dizer que os cinco Sentidos orientadores para a vida dos seus Criados  é absolutamente dispensável para Ele, que é Essência Pura e Máxima, portanto não pode ser apreendido por nós como se fosse um igual.  Deus gere o Universo com as Leis da Física  a nós apresentada por Arquimedes, "A cada Ação, sua Reação", e mais nada.  Portanto Deus não ouve, não vê, não escuta, não fala e não acaricia, no que depender de isso ser instrumentalizado pelos Sentidos animais e (humanos)  Exemplo?  Dra. Zilda Arns, médica, em missão humanitária no Haiti, aos setenta e cinco anos de idade, religiosa fervorosa e sem hipocrisia, aos doze de janeiro de 2010, numa Igreja]  e em palestra para cento e cinquenta pessoas  sofreram o abalo cataclísmico e o teto da Basílica lhe caiiu sobre a cabeça, não lhe oferecendo nenhum outro ferimento, e sua Alma Espiritualizada, retornou à sua origem, ao Pai Criador.  Deus não faz milagres, para ganhar Seu reconhecimento.  Se uma arma letal apontada em tal direção  estando em movimento  alguém que lhe atropele a frente, bom ou mal, será vitimada.  É a tal Lei da  Física.

    Não há Teofanias, apariçòes angélicas, como nas histórias dos hebreus, sempre para avisar algum fato novo, para discutir com a burrica de Balaão, para lutar ao lado do exército dos filhos de Davi, para tocar fogo nas cidades dos sodomitas;  esses fatos fabulosos relatados no Velho Testamento e explicados pelo Talmud Judaico, reputo à ufania descabida e adubada pelo passadio em Babilônia, depois de descidos da Arca, na atual Armênia.  Cultura é presença social e mimetismo, próprios dos humanos.  Os hebreus pagam pedágio ao modismo da terra das Mil e Uma Noites.  Quem conta um conto, aumenta um ponto.  Essas histórias extravagantes são resultados de um patriotismo exagerado e da soberbia extremamente derramada, a ponto desse povo ter um Deus único, só para  si e de se sentirem sagrados, jogando o profano para consumo dos cananeus.

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

DEVANEIOS - DE SÍNDROME DE DORIAN GREY (050714) (050716)(

Tenho Cara De Antigamente, Quando Envelhecer Não Era Pecado
DORIAN CURTIU SUA BELEZA INFELIZ
Criança Chorando

segunda-feira, 5 de setembro de 2016


DEVANEIOS - DE SÍNDROME DE DORIAN GRAY (070514) (070516)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Beleza  Eterna Cansava
VIVA COM MODERAÇÃO
Ancoreta

sábado, 7 de maio de 2016


DEVANEIOS - DE SÍNDROME DE DORIAN GRAY (070514)

Tenho Cara De Antigamente, Quando endoidar era endoidecer
JUVENTUDE NÃO SE APRISIONA

Pouso Do Abutre

quarta-feira, 7 de maio de 2014


DEVANEIOS -DE SÍNDROME DE DORIAN GRAY (070514)

EDÉLVIO-1963 - 28 ANOS

QUEM POUPA UM LOBO, SACRIFICA UMA OVELHA
Tenho Cara De Antigamente;  Sou Do Tempo Em Que Franja Era Pastinha

Dorian Gray era um dos mais belos jovens dos salões londrinos na época pré -vitoriana;  fez um acordo com Satã para não envelhecer e pôs seu retrato no sótão, onde ele registrava a fuga da juventude poupando-o da feiurice.  Passava o tempo, seus coevos desapareciam e ele era sempre o mesmo;  subia ao sótão e o retrato desabava tal  qual seus amigos;  Jogou um lençol sobre ele e privou-se de ir visitá-lo porque estava enlouquecendo com a solidão de não ter mais companheiros.

Os inconvenientes de ser diferente e como afetam as circunstâncias:  Beleza permanente cansa.  A idade mental acompanha a imagem apresentada.  Cidadãos com vinte e cinco anos mas cara de trinta e cinco galgavam vantagens na hierarquia dos empregos.  O Dorian com vinte oito anos e cara de dezoito, cabeça de dezoito, só colhia decepção no âmbito laboral; as mocinhas o disputavam, os senhores o repudiavam.  A tortura de ser sempre jovem era a mesma de ser sempre lindo e beleza não põe mesa.  Queria rugas, queria cansaço, queria mau humor, queria paz  e queria abastança;  só tinha boa disposição, tremendo bom humor, inquietude mercurial e bolsa parca.

Vou chamar o diabo, troco meu perfil de anjo pelo rabo dele.  Quero pelos escuros por toda a face e lhe dou em troca meu falar macio;  pego o seu tridente e lhe dou meu bafo de maçã.  A satanagem não estava funcionando.  O Capeta queria sua alma, trato feito no início em que lhe deu poder de sedução.  Dorian estava endoidecente, subiu as escadas aos saltos, puxou a manta que cobria a chapa empoeirada e viu as caspas dos cílios velhos da sua realidade reprimida.  A corcunda que era sua mas estava aprisionada para não incomodá-lo;  viu as gelhas nos dedos, o tremor das mãos, a cor verdoenga;  percebeu a voz tremente mas viu também a placidez conformada dos oitenta anos que aceita a morte como porta de saída das ingratidões da vida. Agora o alienado Dorian chutou o ancião em sua frente, ajoelhou-se ante a magnitude do male implorou-lhe alforria.  O Diabo riu e seu penitente genuflexo viu sua alma voar pesada no rumo da desgraça eterna.

Juventude Não Vive Em Gaiola, Beleza Que Se Preza Não Enfeia, Cuidado Ao Endoidar

(Caro Marcelo, não consegui enquadrar Djalma Araujo, no Face, são muitos)




DEVANEIOS - DE GUAIAMUNS (220913)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Aprisionar  Guaiamuns Era Distração
E DISTANTE DO SEU HABITAT QUANDO FUGIDOS, NÃO LHES SEI DO FUTURO
Espiral Sentinela Anti-Muriçoca

domingo, 22 de setembro de 2013

DEVANEIOS - DE GUAIAMUNS

TENHO CARA DE ANTIGAMENTE, SOU DO TEMPO QUE JANELA ERA POSTIGO.
SOU DO TEMPO EM QUE CHICLETS ERA CHICLES.
SOU DO TEMPO EM QUE FECHECLER ERA RI-RI.
SOU DO TEMPO EM QUE SOUTIEN ERA CABEÇÃO.
SOU DO TEMPO EM QUE PARCEIRO ERA PARECEIRO.
SOU DO TEMPO EM QUE MENDIGO ERA ESMOLER.

    MAS VAMOS FALAR DE GUAIAMUNS.  NÃO DE CARANGUEJO. AQUELE PRETO E CABELUDO QUE VIVE NA LAMA, MAS DE SEU PRIMO  DE CASCO AZULADO, ÀS VEZES RAIADOS DE AZUL,E MUITO LIMPO.  ESTAMOS EM 1947, BAIRRO DA TORRE, RECIFE, PELAS CERCANIA  DA MÃE DE VASIGUINTON, UM POUCO DISTANTE DO RIO CAPIBARIBE, NUMA CAMPINA PLANA E COBERTA POR UMA HERBÁCEA PERFUMADA QUE PARECE QUE ANDA, LEVANTANDO A PARTE POSTERIOR ACIMA E DEPOIS BAIXANDO COMO SE POR FORÇA DE ATRAÇÃO E IMEDIATAMENTE, PELOS, COMO PEQUENAS RAZES SE ENCRAVANDO  SOBRE QUALQUER COISA QUE LHE ESTIVESSE ABAIXO.  A CADA VEZ QUE ERA ESMAGADA PELO PISOTEIO, MAIS RESCENDIA AQUELE CHEIRO MUITO AGRADÁVEL.  EU ANDAVA MUNIDO DE QUATRO OU CINCO LATAS DE ÓLEO DE SOJA USADAS, RETANGULARES, AO MODO DE RATOEIRAS, TENDO DENTRO NO FUNDO E NO GANCHO DE  ARAME UM PEDAÇO DE CASCA DE ABACAXI AINDA SUCULENTA QUE QUANDO PUXADA PELO ANIMALZINHO, FECHAVA A BOCA POR ONDE ELE ENTRAVA, E AO MORRER DO SOL, JÁ QUE O EXERCÍCIO DE SEMEAR A PERDIÇÃO DOS MESMOS ERA À  NASCENTE, EU VOLTAVA PARA RECOLHER AS PRISÕES DOS INFORTUNADOS.  QUE DEUS ME PERDOE POR FAZER DA DESGRAÇA ALHEIA  MEU MOMENTO DE LAZER.  ANTES DA SEMEADURA DA ENGENHOCA TRAIÇOEIRA, ABAIXADO EU EXAMINAVA CADA LOCA CAVADA POR ELES  A VER SE TINHA NA ENTRADA SEUS DEJETOS, MESMO ASSIM, NUM AMBIENTE MUITO LIMPO.  ENCONTRADO O CORPO DE DELITO  ALI EU INSTALAVA A REBIMBOCA IMPEDINDO A SAÍDA DO INOCENTE, SALVO PARA DENTRO DELA.  RECOLHIDA A CEIFA  VOLTAVA PARA CASA ASSOVIANDO  COMO SE NÃO FOSSE UM RENEGADO E NO MEU QUINTAL DESPEJAVA DE CADA ARMADILHA OS INOCENTES DENTRO DE UM QUADRILÁTERO DE TIJOLOS PARA A ENGORDA.  QUE MALDADE;  SEMPRE, SEMPRE ALGUM ANIMAL, GATO TALVEZ, DERRIBAVA  AS MURETAS MAL AJAMBRADAS, E EU NUNCA TINHA GUAIAMUNS GORDOS, PARA AUMENTAR O CONTENCIOSO DOS MEUS PECADOS  DIANTE DO PAI, QUANDO O TEMPO ESTIVESSE NO SEU "T".

    ERA ESSE O MEU VIVER, POR FALTA DE HABILIDADES PARA OUTRAS ATIVIDADES.  NÃO SABIA JOGAR PIÃO;  NÃO TINHA FIRMEZA NOS DEDOS PARA AS BOLAS DE GUDE, NÃO TINHA DESTREZA PARA FABRICAR PAPAGAIOS;  APENAS JOGAVA BOLA DE BORRACHA FURADA E POR ISSO EU ANDAVA SEMPRE COM UMA RAIZ SÓLIDA E FURANTE, PARA ENFIAR NO FURO DA IMPRESTÁVEL E CONTINUAR O JOGO, JÁ QUE A BOLA ERA MINHA.  NA VERDADE EU ERA UM SEMI-SOLITÁRIO, MESMO QUANDO ESTAVA ENTURMADO.  BOM, VOS PROMETI FALAR DE GUAIAMUNS E FALEI, JÁ MAIS NADA DEVO, ENTÃO ME DEIXEM NA MINHA SOLEDADE.






























DEVANEIOS - DE JUVENTUDE (220913)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Se Queria Prender A Juventude Com Tornozeleira
E NÃO SE PODIA FAZER ISSO NEM COM CONVERSA-FIADA
Água, Jumento E Sertanejo

domingo, 22 de setembro de 2013

DEVANEIOS - DE JUVENTUDE

Quem não tenm o que quer, segure o que tem
No Brasil as mulheres não envelhecem, elas ficam louras
Dorian Gray tinha  um retrato seu que envelhecia,  poupando-o dessas agruras
"La Juventud se va"

    Eis ai o patrimônio mais volátil do ser humano, no entanto sua grande maioria luta constantemente para  enclausurá-lo.  Não tem como e o resultado é sempre de ridículo, como se qualquer atrevimento de disfarce não fosse de pronto percebido.  Cãs que valorizam a beleza do rosto quando as gelhas são discretas, são agredidas com uma demão de azeviche impertinente e indiscreto.  Barbas brancas sdão pinceladas ora aqui, ora ali, como se o rasto fosse um mural para exposição de obra de grande satanagem.  As mulheres dispensam os sobrolhos em troca de dois riscos de lápis perfeitamentes flagrados como um corpo de delito.  Imagine, pela manhã, na mesma cama , surge uma intrusa descabelada e sem nada na testa acima dos olhos, o ameaçando com um bom-dia!  E a esclerótica já não inteiramente branca, com frisas tEnues de cor escura ou até amarronzadas!  Que fazer?  Ou a conjuntiva palpebral abertamente oferecida à curiosidade alhêia, numa indiscrição criminosa!  Que acontece?  Os dois espaços sub-orbitais esvaziados de colágenos, e duas pregas visíveis indicando o furto que a natureza lhe pregou!  Como fica?  A boca, horizontal, agora como uma linha com um lado alçado e outro em declive;  Deve-se colocar escoras?  





terça-feira, 20 de setembro de 2016

DEVANEIOS - DE QUATRO TECOS

Tenho Cara De Antigamente, Quando Teco Era Prender O Indicador Ao Polegar E Dispará-lo
SOBRE UMA FOLHA, UMA MOSCA OU UMA ORELHA DISTRAÍDA
Crianças, Projetos Do Que?

Notícia seca:  Dia 190916 um comboio de 31 caminhões de ajuda humanitária, nas proximidades de Aleppo, Síria, foi bombardeado, teve 20 baixas e 18 dos, foram destruídos com suas cargas de remédios, abrigos e comida,mais de 60% da frota.  Quem foi o infame, nesse balaio de gato?  O ditador-assassino Assad diz que coalizão americana.  Ali todos, Russia, Turquia, EUA, Síria, Irã são aliados contra o EI, mas não se beijam, sob o risco e ganhar uma mordida na boca.  A Síria nunca seria atacada pela Russia que lhe ganhou um porto em Damasco. 

Os EUA, sozinhos, e, 170916 matou 62 soldados sírios.  E a Turquia que gosta mesmo é de matar curdos, o que anda fazendo?    O apagado, de quem nem se ouve falar é o Irã. E ai, que bela aliança.  São muitos rapinantes, cada um pegando sei quinhão, e a sociedade civil, anciões, mulheres e crianças entulhos, gentes no lugar errado, um detalhe insignificante.  E o Jihad?  Bem ele não precisa degolar coisa alguma;  deixe que os aliados se matem uns aos outros.  A Síria será esquartejada, receberá de volta quem não morreu e não se fala mais nisso.

Antes do Papa, escrevi eu:  191215-"líbios africanos morrem no Mediterrâneo, no largo ao sul da sicília e desaparecem nesse CEMITÈRIO LÍQUIDO, nas agruras de um afogamento.  Dolorosa morte à quem em fuga para ganhar a vida, perece.  Coisas das guerras, da ganância incontrolável dos fortes contra os fracos para se apossar do petróleo, energia, que enriquece a quem a possui. Além dos gazes da decomposição de cadáveres, a incrível lixeira que não deve ser, nas profundidades de um Hmalaia,invertido, como esse.  Armas químicas ali jogadas, alcançando qual resultado!...

É uma pedrada no coração a infelicidade explícita da Flobela:  Lei-lhe as 4 frases.  1) E se um dia hei de ser pó, cinza e nada, que seja minha morte uma alvorada, que eu saiba me perder pra  me encontrar.  2)  Amo-te tanto.  E nunca te beijei...  E nesse beijo, amor, que não te dei guardo os versos mais lindos que te fiz.  3)  Escreve-me!  ainda que seja só uma palavra, uma palavra apenas, suave como o teu nome e casta.  Como um perfume casto das açucenas!  4)  Sou aquele que passa e ninguém vê...  Sou aquele que chamam triste sem o ser... Soa a que chora sem saber porquê...  Sou talvez a visão que alguém sonhou, alguém que veio ao mundo pra me ver, e que nunca na vida me encontrou!          

DEVANEIOS - DE O HOMEM E O PEIXE (120415)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Lia Contos da Carochinha O Tempo Todo
TEM CORETO, TEM RETRETA
Fixão

domingo, 12 de abril de 2015


DEVANEIOS - DE O HOMEM E O PEIXE

Tenho Cara De Antigamente, Quando Querer Era Poder
COM A GRAÇA DA PIETÁ CUMPRO ESSE TRABALHO
Filhote Do Jumentinho De Maria E Jesus

Conto De Altair Andrade Cruz 


O homem abriu a portinha de casa e olhou o tempo. O último dia do ano findaria a meia noite daquele dia que iria nascer daqui a pouco. A companheira e os cinco filhos dormiam. Bom que dormissem, assim não sentiam fome. A luz do dia ainda era somente um anúncio de um claro no céu. Tudo é silêncio. As estrelinhas da madrugada já pequeninas formam um bordado de luz no manto de vaga cor azul. Passo a passo o homem andava na noite ainda. As pernas finas o levariam ao seu destino onde os pensamentos se acabam e a pobreza também. Sente pena da família que naquele momento nada sente. É que lá do outro lado do sono tudo é diferente do lado de cá da vida. Sem ele a mulher daria um jeito, ela sempre achava um meio de alegrar a casa e fazê-lo sorrir. Do nada do jantar que não houve  ontem Maria Rita  fazia um almoço de hoje juntando restos das casas dos outros: “Vem comer, home de Deus! Dá pra tu também! Tá tão bom!”. Era sempre assim, desde que ele havia se amofinado. Não buscava mais lutar. Não entendia, mas nele se instalara a depressão, uma doença da alma que não tem alento que passe, não tem palavras que ajudem. Uma doença que vela a luz do sol, prende a vontade de fazer alguma coisa, que  puxa dos abismos humanos todos os golpes recebidos durante muito tempo. Teria coragem e se atiraria no rio de águas profundas.
O RIO É ALTIVO E DESTEMIDO E NÃO AMA NINGUÉM, POIS VAI SEMPRE EMBORA PARA O MAR SEM SAUDADE
Chega à beira do rio junto com os primeiros raios dourados do sol. Senta no verde capim que se esparrama adornando a areia. Não sabe se pensa ou não. Sabe que a decisão está tomada e não tem medo. Apenas demora um pouco olhando o espelho das águas que passam e nunca voltam. Gosta do rio. O rio é altivo e destemido e não ama ninguém, pois vai sempre embora para o mar sem saudade alguma das flores das várzeas, dos passarinhos dos galhos, das pedrinhas do seu leito, dos moluscos nativos e das mulheres que lavam roupas e se banham nuas nas suas águas caudalosas.
O ENCONTRO COM O PEIXE ROSADO PRATEADO COM REFLEXOS IRISADOS
Rumorejam as águas do rio que passa. É um canto de morte. Buuuuum, plooooft!  Não! É um peixe rosado, grande e rutilante que emerge e ao lado de um cesto de pesca flutuante lhe fala:
“Homem! Vou te ajudar. Nesta cesta estão as fases da tua vida até agora.  São quatro novelos de lã coloridos. No primeiro de cor branca verás as tuas primeiras experiências de vida quando pequena criança; no segundo novelo de cor amarela verás a tua infância; no terceiro novelo de cor azul hás de te ver rapaz; no quarto novelo de cor preta hás de ver a tua vida até esse momento. Vou te entregar por ordem cronológica cada um deles. Pegai cada novelo e aquilo que desejas que nunca haja feito parte da tua vida solta a linha do novelo para desfazê-lo e ela te precipitará nos abismos das minhas águas”.
VIU A PORTINHA DE CASA POR ONDE SAIU ANTES DO AMANHECER  E  POR  ELA ENTROU DE VOLTA
Buuuuum, plooooft!  O homem pegou o primeiro novelo – o  de cor branca e viu-se  na casa tão querida e bonita em que havia nascido e vivido sua infância. Ali estavam  o pai e a mãe bem jovens na festinha do seu primeiro aniversário. Havia  música, risos, brinquedos, enfeites, e amigos e parentes convidados para a lauta mesa de bolos e doces. Mas, o homem colocou de volta sem soltar-lhe o fio  o  novelo branco no cesto e o peixe submergiu e levou o cesto. Queria que aquele momento estivesse em sua vida sim.
Buuuuum, plooooft!  De novo o grande peixe emergiu e lhe entregou o segundo novelo – o de cor amarela. Estava com os coleguinhas e corriam nos campos verdes atrás de uma pipa colorida que descia do céu azul e saltou quase em cima da sua cabeça,  os cadernos da escola se espalhavam pelo caminho e ele ria muito, feliz porque o brinquedo agora era só seu. Mas, o homem colocou de volta sem soltar-lhe o fio  o  novelo amarelo no cesto. Queria ter tido na vida aquele instante sim.
Buuuuum, plooooft!  Outra vez o peixe emergiu do fundo do rio e lhe deu o terceiro novelo – o de cor azul. Na manhã de sol esperava Maria Rita sentado na escadaria da escola. Ela chegou sorrindo e sentou ao seu lado. Um perfume de mato verde e chuva se misturavam ao cheiro de pão torrado e café. Se encheu de coragem e pediu: “me dá  um beijo”. Ela saiu correndo. Maria Rita ria e soltava o beijo de longe pelo final da palma da mão. Outra vez  então o homem colocou de volta sem soltar-lhe o fio  o  novelo azul  no cesto. Queria ter vivido aquele momento sim.
Buuuuum, plooooft!  Dessa vez o grande peixe prateado iridescente emergiu do fundo do rio e deixou flutuando nas águas o cesto de pesca com todos os quatro novelos  de lã nas cores  branca, amarela, azul e dentre eles o novelo de cor negra. O homem retirou o novelo preto de dentro do cesto. Viu a portinha de casa por onde saiu antes do amanhecer e por ela entrou de volta. A mulher adoçava o café, e o pão de milho amarrado no pano de prato,  de cabeça para baixo na tampa de panela, cheirava, cheirava. Os cinco filhos sentadinhos no chão esperavam o repartir do pão. A voz macia que vem lá de perto da trempe de fogo que cozinha o pão convida: “Vem comer, home de Deus! Dá pra tu também! Tá tão bom!”. O homem coloca o novelo de lã de cor preta no cesto. Como puxar o fio daquele novelo!? Se puxar a linha vai lançá-lo  para as caudalosas águas do rio e não verá mais a sua casinha pobre, a sua mulher cuidadosa, os cinco filhos que aqui e ali riem baixinho “para num zangar o pai”. Queria aquela mulher, aquele momento, aqueles filhos sim.
NA SOMBRA DO ZÊNITE O HOMEM NÃO TEM SOMBRAS – NEM PARA FRENTE E NEM PARA TRÁS
Quer dizer ao peixe que não conseguiu desmanchar nenhum dos novelos, mas, somente o rumor das águas do rio caminho das águas que vão e nunca mais voltam passam cheias diante dos seus olhos.
Suas pernas finas o levam de volta para casa. Já é meio dia. Na sombra do zênite o homem não tem sombras – nem para frente e nem para trás.
Entra em casa. Coloca o cesto em cima da pedra da sala onde está pregada na parede roída a imagem da família sagrada: José, Maria e Jesus.
O dia passa. A noite vem. Amanhece de novo. A voz da mulher se repete aos gritos até  Zé acordar. “Zé ! Zé! Debaixo dos santos tem uma cesta com quatro bolas de ouro! Zé! Zé!...”
Debaixo do sol a pino Zé  e família vão ao centro da cidade  a pé levando embrulhado num pano um cesto. Entram na igreja e Zé vai para o confessionário. Depois de um tempo a família composta de sete pessoas se encaminha com Zé de cesto embrulhado no pano velho para uma agência bancária e diante da moça elegante o Zé de pernas finas pingando suor  pergunta onde fica o setor que compra ouro.
... Madrugada antes do alvorecer. O carro luxuoso estaciona perto do rio e um homem forte com roupa de grife se encaminha para a beira do rio. Muitas  das vezes viaja do exterior no fim do ano para visitar o rio e encontrar o peixe rosado prateado com reflexos irisados.  Por longo tempo espera o reencontro com o peixe prateado furta-cor, grande e brilhante. Há quase uma hora as águas passam céleres sem volta, rumo ao mar. Nenhum peixe vem à tona. Por toda a vida do homem ele repete essa visita ao rio de águas caudalosas na madrugada da  manhã que antecede a data do Ano Novo.
Um dia, já idoso faz a visita e pede ao motorista que o deixe só, no capim verde da  beira do rio. O motorista o encontra meia hora depois quando o sol já havia nascido. Sentado, sem vida de olhos abertos, olhando para as águas que passam e vão para o mar, sem saudade das várzeas, dos passarinhos, dos moluscos nativos, das pedras, das flores, dos caminhos, e dos grãos de areia do seu leito.
Tudo está escrito no livro da vida? O livre arbítrio existe? Lá do outro lado do sono tudo é diferente do lado de cá da vida? Na sombra do zênite o homem não tem sombras – nem para frente e nem para trás? E no nadir o homem desapare


DEVANEIOS - DE MANGAR (160215) (160216)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Amor De Mãe Era Porto Seguro
CADA ANÃO TEM A BRANCA DE NEVE QUE MERECE
Domingos-O Tempo É Absoluto-Saudades

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

DEVANEIOS - DE MANGAR

Tenho Cara De Antigamente, Quando Caçoar Era Mangar
MANGAÇÃO ÉO ASSASSINATO DO MANGADO 
Reclame De 
Remédio De Antigamente

Triste do mangado.  Qem manga ni mim é um sem coração. Eu me encolho, corro, me escondo e fico mais pequenininho quando alguém manga ni mim.  Seje por causo que de uma camisa feita na alfaiataria mamãe. De uma alpargata mal enfiada.  De uma calça sungada.  Purque com essas coisas vocè faz o mundo mais desinfeliz.  Mas, minha mãe gosta de mim, me abraça e ela é quentinha, bota a mão espalmada na minha testa e empurra pra trás, é o seu carinho, e nele eu sinto que tenho jeito, que tenho canto.  Nem me importo que me chamem de feiurinha, de todo troncho, de tampinha, de toco de amarrar jumento, só levo em conta de não contar em casa essas aporrinhações que na verdade acabam com a minha beleza.

Minha mãe era gentil, ela dizia para eu rir para os outros com todos os dentes;  coitada, esquecia que eu era banguelo, que me faltavam dois dentes e que eu não podia morder.  Oh, preguiça, sai de cima de mim, gritava ela;  pensa que sou tua mãe?  É verdade, ela era malcriada, mas eu nem ligava porque, se eu fizesse cara de choro, era ela quem corria pra cima de mim e seu arrebatamento era como o abraço da Santa Maria protegendo o menino Jesus.  

A nãe não fazia mangação de eu;  só ria ca boca troncha e os quatro dedos em cima dela, porque o cata-piolho ficava em baixo do queixo.  Bença, mãe, e eu saia correndo, com alegria no coração,  com  a caixa de lapis johan Faber cheirosa que eu ia cheirando, pensando que a felicidade do mundo morava em mim.  Oi, fedegoso;  o grito me atingia, mas eu fugia dele;  o riso da professora, d. ritinha, substituia o da minha mãe;  eu a achava bonitinha; era engraçadinha e passava os dedos no meio da minha cabeleira, eu me sentia abençoado.  Hoje, velho, mesmo tendo continuado pequeno eu penso;  mas que menino carente era aquele!  Na volta eu apertava os lapis coloridos, meus verdadeiros amigos.  Eles não me diziam nada, mas eu os sentia comigo.

Mãinha estava roxa, os olhos revirava e ela tão pequeninita respirava com sofreguidão.  Uns dizia, era derrame e eu me lembrava da palmada dela quando eu derramei a caçarola do leite em cima do fogão de lenha.  Mãe, eu diza comigo, chorando e com a voz apertada, eu fico na cozinha com o lombo descoberto e tu podes dar quantas lambada quiseres, mas não me deixes só.  Eu não gosto quando mangam ni mim  e se tu não empurrar minha cabeça pra trás e disser, preguiça, tu quer banana, eu fico abilolado, sem o sorriso dos dentes eu me sinto orfa.  Mãezita, para com isso, eu vou esconder tua rede, que eu sei muito bem para que ela serve quando a gente não serve mais.  

Me encolhi no pé da cama dela, arfava, larguei os lapis queridos que cairam da caixa, meu irmão pequenitito agarrou um e se lambusou com sua cor preta, cor da morte.  Eu nem liguei, eu estava só, agora minha dor era gigante, coisa que nunca conheci;  chorei, chorei, chorei...

Afelò, pirulito, tengo-tengo lengo-lengo, olha o cavaco, passava tudo isso na rua, no meu bairro, mas que bairro, aquilo era buraco mesmo, era o buraco em que eu vivia, em que era alegre e era seguro, o buraco onde eu tinha  minha mãe, onde os valores eram altos, as querências eram muitas, embora o cheiro de pobreza superasse tudo.  Mãe querida, "trago-te flores, restos arrancados da terra que nos viu passar unidos e ora morta, nos deixa separados".

Pobreza, mangação, com mãe, é melhor do que riqueza e cheiro de parisiana em frascos de litro, sem mãe