sábado, 26 de novembro de 2016

DEVANEIOS - DE O ANJO MALAQUIAS (251115) (130216) (020916)

Tenho Cara De Antigamente, Quando  Quintana Teve A Brilhante Ideia De Criar O Malaquias
EI-LO AQUI SOB MINHA VISÃO
Thompson, Meu Primogênito, Atté Os 19 Anos

sexta-feira, 2 de setembro de 2016


DEVANEIOS - DE O ANJO MALAQUIAS

Tenho Cara De Antigamente, Quando A Blandícia Era Um Afago De Deus
E DEUS PROTEGE OS INOCENTES
Protegida De Deus

sábado, 13 de fevereiro de 2016


DEVANEIOS - DE ANJO MALAQUIAS-MÁRIO QUINTANA

Tenho Cara De Antigamente, Quando Ayrão na "Bola Dividida" Nunca Androginou
TEXTO ORIGINAL DE QUINTANA, O MALAQUIAS

Anjo Malaquias

Estou apenas divagando sobre o imaginário de Mário Quintana de um anjinho recém-nato deitado de bruços e ameaçado como manjar por um papa-figo muito mau.  Atendia pelo nome de anjo Malaquias e na emergência foi acudido por Nossa Senhora que sapecou-lhe duas asinhas, mas na pressa de tirá-lo da garfada do energúmeno,  infelizmente foram pregadas na sua pequenita bunda.  A criaturinha sem sequer saber o que era a vida, já a estava defendendo.  Voava como barata-tonta, mas sempre de cabeça para baixo e atendendo à luz na janela, por lá enfiou-se.

Pobrezito do anjinho passando entre nuvens de quinas aguçadas dirigidas por outros anjos maiorzinhos que sem maldade simulavam atropelá-lo.  Nem anjo-da guarda ele tinha ainda mas Nossa Senhora dos Desvalidos cuidou dele o tempo inteiro.  Muita coisa ela não podia fazer pois ele com sua cômica atrofia se movia como se pendurado mas achando muito divertida aquela primeira traquinagem.  Anjo com asas na bunda era motivo para gargalhadas abusadas dos seus fraternos que nunca tinham visto aquilo.  A Compadecida tinha que dar um jeito.

Pois ela própria embarcou numa nuvem maior, fez um gesto contrito para cima e o céu se escureceu com grandes pingos de chuva.  Providenciou abrigo para os dois malcriados inocentes e amparou a queda do Malaquias  com suas asinhas pesadas.  Segurou-o nos seus braços abençoados, agasalhou-o e o fez dormir.  Arrancou-lhe com cuidado de mãe aquela coisa grotesca e com infinita paciência postou-as nos ombrinhos gorduchos.  Dormiram os dois na Paz do Senhor.  Dia seguinte estavam de volta à casa onde nascera o Malaquias e grandes festas aconteceram.

Desculpe-me o Quintana, louvada seja a Santa Mãe, seja o Malaquias um bom menino com suas asas invisíveis.  Deus que continue dando aos seus filhos o dom que cada um merece, como a invencionice sadia do Mário pensando em causos que a maioria nem está ai.  Qual a idade do anjinho agora?  E o seu criador, agora lá na Céu como estará?  Outros aqui virão, farão poesias, encherão de músicas todas as veredas, inventarão dramas, comédias e novelas como pinturas da vida que se leva.  Outros serão os protetores surgindo nas horas amargas dos solitários viajores.





DEVANEIOS - DE PINGALHO E PENTA-LUGARES (26/27/280913) (270914) (110616)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Com Esforço De Memória Faço O Velho Juvenecer
E O ANTIGO SE CONFRONTA COM O MODERNO
1979-edélvio-Aos 44 Anos-Belém-Pa

segunda-feira, 16 de junho de 2014


DEVANEIOS - DE CAPUNGA, DE PINGALHO E DE PENTALUGARES

De Pingalho e Pão Sovado

Vizinho ao terreno da Igreja da Capunga e com a frente na mesma direção para o CAB, havia uma vendinha que tinha um cheiro ácido e acre de aguardente, pelo hábito de sua clientela, pés-inchados, derramarem ao chão a parte do santo, no costume.  Se chegava, como acontecia nas viagens que meu Pai fazia e nunca voltava só, irmãos que sempre estavam vindo à grande cidade pela primeira vez (o Casarão sempre parecia uma pensão), ora para tratamento de saúde, ora para estudar e por qualquer necessidade,  esse novo inquilino era sapateiro meia-sola, de profissão;  então, alugava um espaço no Pingalho e aliviava sua precisão.  Ali, além da aguardente tinha um pão sovado macio, cheiroso e a parte de cima de um vermelho escuro molhado que apetitava quem para ele olhasse.  Que gostosura.

Na casa nos fundos da Igreja, moravam a zeladora, um neto rapaz, seu pai ,Iinvestgador de Polícia, que numa despedida ao filho que dormia, viu a arma no coldre axilar disparar e atingi-lo. Foi um pandemônio, mas com bom final.  Havia ainda uma filha da zeladora, a Angélica que conheceu o Pedro Jofile, um sargento do Exército, gaúcho, e pintou um casamento. E assim foi e assim ficou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Edélvio Coe;ho :indoso

DEVANEIOS

sábado, 28 de setembro de 2013

 DE PENTALUGARES


DE BEBETO - 1947 - meus doze anos.  Colega de CAB, com irmão mais velho chamado Rogemir e um cascabulho, todos viciados em futebol, até enjoar.  Bebeto era magro, um pouco mais alto que eu, canhoto e com um chute poderosíssimo, mas era um frouxo.  De noite saiamos da Igreja da Capunga e entravamos pela parte baixa do CAB onde havia a alameda de Ficus da qual já falamos algumas vezes.  Eu, mais baixo e socado no grosso, de propósito, que maldade, queria levá-lo por aquele caminho sombreado e ele resistia.  Eu quase o suspendia, e ele resistia;  era um molenga, mas era meu amigo.


DE MARLU E PINTO JUNIOR - 1946 - meus onze anos.  Lilo, noso primo, mais impossível (impulsivo), impossível.  Fugido da Marinha e agora no Exército, à paisana, enfiado no nosso Casarão;  nosso, dos quatro irmãos, ídolo, fumava cigarros Olinda ou Iolanda, em maços brancos alvíssimos, envolto numa aura de fumaça azulada, expirando duas faixas pelas narinas, com os pêlos louros dos braços se exibindo sob a voz solta em cantorias.  Era hipnótico, tanto como o contorno das duas caras exatamente iguais no ouro em que eram fixadas as mulheres na face alva e brilhante do papel do maço de cigarros.  Espetáculo montado até que um grupo do Exército sob o comando do Tenete Antenor, um natalense contra-parente do nosso galã fugido naquele momento das lides militares;  Percebendo a situação, se evadia pelos fundos da casa

passando por cima do riacho de maré cheirando a mar, escalando o muro onde era a ponte e vizualizando a equipe verde penetrando na casa à sua procura.  Era uma aventura eletrizante para nós, assistentes.  Logo em seguida, surgia Marlu, baixinha, de pernas grossas vestida de meias cremes, até abaixo dos joelhos.  Saia beje e blusa branca com gravata da cor das meias. Pinto Junior era o nome da Escola de formação de Normalistas, tão decantadas no Rádio,  sonho de noventa e nove moiçolas entre cem.  Ela estava pronta e ia cumprir seu ritual acadêmico.


DE QUATRO CANTOS - 1940 a 1945, sempre, dos seis aos onze anos.  Oitão do Casarão, rua Joaquim Nabuco, rua comprida até que sua paralelas se encontrassem, e lá ia eu, indo e voltando, até a Padaria, ou à venda do português que nos abastecia,; noutra ponta do quarteirão não lembro o que havia, e na outra estava se montando um projeto do que seria a primeira fábrica de Coca-Cola.  Sempre estava lá, um, apenas um, não sei se subordinado operário ou se engenheiro; ferramenta à mão, mas o que me impressionava eram sua botas de cano curto, como dois ímãs de atração compulsiva.  A partir dai tive muitas dessa botas, até feitas por encomenda, ARTESANALMENTE;  EXPLIQUE-SE ESSES IMPULSOS QUE A PSICOLOGIA NÃO CONSEGUE.  MAS A MINHA MALUQUÊS, QUE AINDA HOJE, AOS SETENTA E OITO ANOS, OLHANDO PELO ESPELHO RETROVISOR DO TEMPO, ME DEIXA INTRIGADO, É O RACIOCÍNIO DE UMA CABECITA DAQUELA IDADE FAZIA, DE SI PARA SI:  EU FALAVA MUDAMENTE COMIGO MESMO, CONSIDERANDO  A DISTÂNCIA CANSATIVA, JÁ EXPOSTA, DAQUELA RUA, MULTIPLICADA POR DOIS, POR CAUSA DA VOLTA:  PAPAI DO CÉU, OLHANDO OS DESENHOS TRABALHADOS DE ALGUMAS CALÇADAS, SE EU TENHO QUE VOLTAR SOBRES AS MESMAS PISADAS QUE ME LEVAM, POR QUE NÃO POSSO DAR MEIA VOLTA SOBRE MIM E PRONTO, JÁ ESTOU EM CASA!?.  PRÁTICO, SE ISSO FOSSE POSSÍVEL.  ERA A MINHA RAZÃO TRABALHANDO PRAGMATICAMENTE, JÁ, NAQUELA INFÂNCIA. POR ISSO, ACHO QUE SOU UM ALUADO.


DE SÔNIA CORREIA LINS - NO "T" DESSES MESMOS TEMPOS. - SIM, ESSA MESMA SÔNIA QUE HOJE CLINICA SEU ODONTO EM SÃO PAULO.  VINHA ELA DO ESPINHEIRO, DE BICICLETA, PARA ESUDAREM JUNTAS ELA E MARLU, NO CASARÃO.  ERA O CLICHÊ DA MOCINHA CHIQUE E BEM COMPORTADA.  FOFINHA SEM SER GORDA, BRANQUINHA, BAIXINHA, DE ÓCULOS MUITO DELICADOS.  MORAVA EM CASA COBERTA COM AQUELES ERVÍDEOS QUE SE COLAM EM TODA A SUPERFÍCIE DO IMÓVEL.  SEU IRMÃO ERA SÍLVIO E POUCO O VÍAMOS.  ELA CONSENTIA QUE EU DESFILASSE COM A SUA MÁQUINA INDO E VOLTANDO NA RUA DO SEM FIM, APENAS SEGURANDO O GUIDOM, QUE ERA O QUE O MEU TAMANHO PERMITIA. DOCES LEMBRANÇAS.


BAIRROS DA MINHA INFÂNCIA - ESPINHEIRO, AFLITOS TORRE, MADALENA, GRAÇAS, DERBY, ZUMBI, CASA AMARELA, CASA FORTE, JAQUEIRA, CAJUEIRO FUNDÃO, ÁGUA FRIA, ENCRUZILHADA, PINA, BOA VIAGEM.  POR AI CIRCULEI FAZENDO MUSCULAÇÃO PRA MINHA MENTE, PARA FERTILIZAR MINHA MEMÓRIA, PARA FORTALECER O MEU CARÁTER, PARA SOFREJAR DORES E ANIMAR SONHOS. LEMBRO-ME DOS CALORES DO SOL E DAS ÁGUAS FORTES DAS CHUVAS, DOS CHEIROS DAS MANGAS, DAS INQUIETUDES INFANTIS, DA FREQUÊNCIA NA ESCOLA, DA OBSERVAÇÃO DA VIDA, DA PASSAGEM DOS CAMINHÕES DO EXÉRCITO RUMO AO PORTO, LEVANDO O JEZIEL NORBERTO SARGENTO E O SARGENTO SILAS MUNGUBA, E TRAZENDO-OS OITO MESES DEPOIS, COM EXPERIÊNCIA DE VIDA ENRIQUECIDA PELOS HUMORES DA GUERRA, PARA SERVIR AS COMUNIDADES DA PÁTRIA COM O ARDOR DA SOBREVIVÊNCIA E O ACONCHEGO DAS FAMÍLIAS.


 





DEVANEIOS - DE CAPUNGA (1)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Regurgito Reminiscências dos 40
DOS 6 AOS 11 ANOS
1952-edélvio aos 17 a.-Esuqrda Mão No Quadril
Igreja Batista De Olinda


sexta-feira, 7 de fevereiro de 201


DEVANEIOS - DE CAPUNGA (1 E 2), DE PINGALHO E DE PENTALUGARES - 089 (26/27/280913) (270914) (160616)

Quinta feira, 26 de setembro de 2013DE

 DE CAPUNGA (1)
DEVANEIOS
Eedélvio Coelho Lindoso

    Parque Amorim, 1501, Recife-PE, em 1943.  Meus nove anos.  Casarão enorme.  Hoje, sob o Hospital da Restauração.  Entre nós e o portão magnífico pela altura, do Colégio Americano Batista, entrada para as acomodações do Curso Primário até o Curso de Admissão ao Ginásio, estava o saudoso Tabuleiro da Baiana, um triângulo circulado pelos três lados, por bondes e ônibus elétricos chamados REO.  Lá haviam três quiosques:  um para balas e chocolates, onde em cada tablete havia uma estampa com um avião diferente, com todas as informações sobre eles.  Eu ficava feliz quando meu amigo Manoel tirava uma duplicata, porque ai eu podia fazer o meu álbum.  Outro pra cigarros e charutos, atendido por Antônio, aluno particular de alfabetização de minha prima querida, Dala.  E o terceiro para geladas, a de coco. a preferida, gerida pelo meu amigo Pinguim, onde eu entrava e saia à vontade,  e também atendia os fregueses.  Era guerra, e além dos reclames pregados em qualquer pedaço de parede, o incrível poder de propaganda anti-japonês, onde aparecia aquela cara redonda e dentuça com olhinhos pequenos e dentro deles a Suástica Alemã.  Ouvia-se no rádio "Todo o magro quer engordar, todo gordo que emagrecer, para o gordo não tem que fazer, para o magro, Biscoito Pilar".  O picolezeiro com sua caixa quadrada e o seu anonimato, por que nem sei se tinha nome, pois mais venderia, se mais tivesse.  Levava tempo para eu poder, mas quando tinha, me regalava com aquele picolé.

    No meu casarão havia escadas na construção sob as janelas, por que aquele espaço parecia um porão.  Ao lado, atravessando a rua Joaquim Nabuco, e da mesma forma, olhando para o CAB, a Igreja da CAPUNGA, de onde algumas vezes alguém ia se queixar de mim ao meu Pai, o Pr. Lívio Lindoso, e me traziam a contra-gosto, e eu era posto sentado numa cadeira de espaldar altíssimo, até dormir de cansaço e dores.  Só hoje eu entendo por que me chamavam de menino impossível;  queriam dizer, impulsivo.  E o fato de os castigos que meu pai aplicava, perdiam-se no tempo, que nunca encontrava o seu "T".  Eu acho hoje que é por que ele, órfão aos cinco anos, nunca teve um espelho para a paternidade.  Eu o perdôo.  A orfandade tão cedo, privou-o pelo tempo inteiro, de conhecer aconchego de Pai e de Mãe.

 

DEVANEIOS - DE CAPUNGA 2 (270913/14)

Tenho Cara De Antigamente, Quando "Sodade"  Só Era Sentida Do Passado
OU NUMA PARADA QUANDO SE OUVIA, "VOLVER"
Família Lindoso-7 filhos e GLAUCE-1973

DEVANEIOS
Edélvio Coelho Lindoso
Sexta feira, 27 de setembro de 2014
DE CAPUNGA (2)


"Sodade" voadora - Meu Tio Artur

Meu Tio Artur, na verdade, tio de papai e pai que o criou. Miudinho, franzininho, branquinho de barba e bigodes fartos, sempre de terno também branco, isto é, calça, paletó e colete, e relógio de corrente pregada na botoeira.. Tinha uma filha chamada Débora, da minha idade e de olhos tão grandes que pareciam de uma ave noturna. Eu tinha meus tesouros, uma caixa de madeira mal ajambrada, mais parecendo uma gaveta liberta do seu enclave. Lá dentro, recortes de papeis, uma tesoura enferrujada e um pedaço de sabonete Lifebluoy(?) usado e de cheiro fortíssimo, muito comum nos termos de 1943, dizem que para sarna e doenças de meninos mal lavados. Muito vermelho. Quanto vale meu tesouro? Não é da sua conta e a d. Débora não tinha nada de estar mexendo nas minhas coisas. Eita meninos; nos seus projetos de serem donos. Tio Artur, que alguma chegada falou ser Artur Cristo. Repudio isso veementemente; sempre se chamou Artur Franklin Cavalcante Lindoso. Ele era muito viril, casou -se algumas vezes, mas nunca conheci suas mulheres nem seus filhos, se os teve. Na minha família há o hábito dos mistérios divinos e segredos não falados, com passados no escuro do silêncio. Esse Tio gostava muito de mim e deu-me de presente um chapeuzinho de palha, de qual nunca larguei. Era ele colportor, viajante vendedor de livros sagrados, inclusive Bíblias. Um dia, no seu "D", voltou de viagem e desabou numa cama-de-lona, também chamada de cama-de-vento, e não urinava nunca. Quem já passou por essa experiência sabe a compulsão da aflição que a acompanha, Desses parentes que todos têm, não vi, nem a Débora. Conversa de mulheres, sabedoria popular, falou-se que chá de perna de grilo resolveria o problema. Alvoroço no Casarão; mulheres e crianças arrastando baus e trempes espremidos contra as paredes, de preferência nos lugares mais úmidos, todos com toalha e panos para envolver qualquer atrevido grilo, falante ou não. Achou-se, enchassou-se e aplicou-se. Milagres do povo acontecem. Que alívio. Tio Artur urinou por tempo imenso, não se sabe o quanto e de onde que vinham. Ao fim, o fim, com o fim o descanso. Seu relógio de algibeira, trepado na curva da escada que levava para o andar superior, parou no momento exato do desprendimento daquela Alma, branca como tudo que era dele. Essas coisas que crente nenhum admite, naquela casa aconteceram. No caixão negro a inscrição em prata: Artur Franklin Cavalcante Lindoso. Destino: Cemitério de Santo Amaro.

Edélvio Coelho Lindoso
DEVANEIOS
sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Mais Um Tico De Tio Artur

Da minha memória anterior, o meu Tio Artur que tinha na ação de Colportor sua via remunerativa, que viajava constantemente da Capital ao Sertão e vice-versa, creio que conhecia os caminhoneiros da época e de vez em quando conquistava uma carona que favorecia sua bolsa tão parca. Contou dessa última viagem, só não sei de qual sertão, que veio sobre uma carga de mamona(carrapateira) sob sol intenso, dai a versão de ter cozido os rins, o que provocou a intersecção urinaria até o óbito. Me contava histórias do arco da velha, eu deitado em seu colo e recebendo os perdigotos de sua animação, coisa e linguagem nunca consentidas por meu Pai, de um caçador com uma espingarda que deu um tiro no cu de uma onça, que lhe saiu pela boca, na disparada. Eu vibrava, nos meus nove anos, e como já conhecia essa história, repetia labialmente toda a linguagem, como se estivesse insultando meu pobre Pai, por me proibir tamanho prazer.

CurtirMostrar mais reações
Comentar
Comentários
Edélvio Coêlho Lindoso
Escreva um comentário...

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

DEVANEIOS - DE MEUS 9 ANOS (3) (060514)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Dó Olhava Pra Trás Quem Tinha Retrovisor
ÁS VEZES NUMA PARADA PARA ATENDER UM !VOLVER"
2 Tempos De Minha Namorada, GLAUCE, Aos 18 Anos

sábado, 21 de junho de 2014


DEVANEIOS -DE MEUS 9 ANOS (3) 03 / 22

1977-Santarém-PA-(eu)-edélvio aos 42 a
Tenho Cara De Antigamente, Sou Do Tempo Em Que Perfume Era Extrato
AS PALAVRAS TÊM PODER

terça-feira, 6 de maio de 2014


DEVANEIOS - DE MEUS 9 ANOS (3)

1940/1945 (1942)

Olhem a sombra ao pé do casarão onde morei durante seis anos;  Pode ser onze horas ou treze horas, mas era o ano de 1942 e eu tinha nove anos.  No lado da sombra estava a porta de entrada;  na frente ensolarada, três janelões num quarto imenso onde dormíamos quatro crianças e duas primas;  Daluz e Loíde.   No primeiro andar, Dr. John Mein, americano e D. Elishabeth, inglesa.  Ali curti dos seis aos onze anos, tempo da Guerra.  

Minha irmã Marlu tinha uma amizade grudenta com a Sônia Correia Lins, irmã de Sílvio;  gordinha, baixinha, miopezinha e educadazinha;  morava no bairro de Espinheiro, mais ou menos próximo de nós,  lugar chique em casa com paredes externas cobertas de heras trepadeiras verdíssimas e vinha todos os dias `à tarde, de bicicleta, fruta rara e capaz de abrirem-se todas as janelas de uma rua para apreciá-la.  Não existindo as expressões de hoje, como legal e bacana, dizia-se batuta.  Não tinha luxo e me deixava ficar naquela calçada em sombra, indo e vindo com a sua máquina quando minha altura pouco dava para lhe sustentar o   guidão.  Em tempos de guerra, ali era tempo de paz;  não havia riscos quanto aos bondes nos seus trilhos,  não havia malfeitor nem ladrões. Como pode o comportamento das gentes em setenta anos mudar de ótimo para péssimo, de se ver a maldade das almas expluírem assim para infernizar um antigo céu! A Sônia hoje é uma Dentista ai no Sul e a Marlu, uma pedagoga aqui no Norte.  E a vida surpreendendo `à todos.

Naquele tempo ainda havia a praga da tísica que ceifava muitas vidas ainda jovens.  Dizia-se de gente perguntadeira, que tinha ouvido de tuberculoso.  Era uma doença tão marcante e tão temida pelo medo de contaminação, pelo nojo que causava o catarro amarelento do escarro que era um sofrimento moral bravo de quem tinha  a má sorte de possuir  esta doença.  Porisso ficavam de orelhas espertas e em pé para verem se estavam sendo notados e discriminados.  Minha querida Tia Maria, irmã de meu pai, casada com um homem boníssimo de alma e coração, o Tio Luiz, saiu do Pina e foi pra nossa companhia naquele casarão;  Ficava conosco os seis meninos naquele imensidão de quarto, com minha mãe como enfermeira e sua auxiliar, d.Maria da venta-chata, negra da antiga escravidão, de carapinha inteiramente branca, queridíssima de todos nós, nas aflições e nas alegrias.  O meu querido Tio Luiz também tinha uma bicicleta e na garupa um enorme cesto quando ele chegava diariamente carregando uma infinidade de verdes para amada mulher, num amor mais próprio daqueles tempos.  Assim foi e se mudaram para Vitória de Santo Antão de clima apropriado para estes males.   Quente como é o Nordeste, mas ao cair da tarde, repentinamente a temperatura desaba para bate-dentes comuns naquelas plagas.  Viveram muito os dois e num momento voltaram para sua casa, no Pina;  num outro momento ambos atropelados por um auto se despediram juntos, deixando órfãos seis filhos queridos.

Enfim meu queridíssimo Tio Amaro, irmão da Tia Maria e do meu Pai.  Modesto, no nosso casarão, num mês de junho chuvoso, com cheiro de pólvora e enorme fartura de milho verde, de canjica, de pamonha e de balões hoje proibidos, numa enorme belezura.  No quintal de nossa casa, um mundão de mangueiras, Rosa, Espada e manguitos comuns cheirosos como se fosse um fruto-copo cheio de refresco.  Que infância maravilhosa. Meu Pai, o Pastor Lívio, fechava um pouco os olhos contra a sua ranzinzice religiosa  e até uma fogueira em qualquer São João, fizemos.  Numa algazarra meio torta, parecendo festa junina e também festa natalina, enchíamos frasquinhos pequeníssimos de extrato que era o nome do que hoje é perfume, então passávamos extrato em vez de "sprayar" perfume, com papel crepom de várias cores, que a qualquer toque de água coloria o conteúdo dos frasquinhos que estavam amarrados nos galhos secos de mangueira, para quem quisesse levar, e alegrar os coraçõezinhos de nossa fraternidade infantil, pelo reconhecimento das gentes grandes de que nós existíamos.  Meu Tio Amaro, de pouco falar, de uma predileção especial por mim, desde eu depois de casado e já com sete filhos, ele nos visitando, fazia desenhos com um garrancho na areia dura em redor da fogueira, sempre de rostos em perfil, como só os egípcios sabiam fazer.  Meu amado tio, um dia deitou alegre junto de sua Nicinha e acordou pela manhã, morto.  Não incomodou ninguém na sua passagem, era homem de bem.







quinta-feira, 24 de novembro de 2016

DEVANEIOS - DE MEUS 9 ANOS (2) (210614)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Perguntado: há No Mundo Alguém Mais Feio Que Eu?
RESPOSTA:  OXENTE, E SUZZIE, JÁ MORREU!
Gil, Suzzie, Rico, Fernando, Jorge, Jane, Thompson e GLAUCE


sábado, 21 de junho de 2014


DEVANEIOS -DE MEUS 9 ANOS - (2) 03 / 43

1977-Belém-PA-(eu)-edélvio-aos 42 a hÁ 39 ANOS ATRÁS

Tenho Cara De Antigamente, Sou Do Tempo Em Que Se Falava Oxente, Oxe, Oxe, Oxe
TUDO É RELATIVO, EXCETO ESSA ASSERTIVA

(M E M Ó R I A)

DEVANEIOS - DE MEUS 9 ANOS (2)



Estão vendo aquela rua lá?  Ela se chama Joaquim Nabuco, mas bem poderia ser rua do  Sem Fim.  Prestem atenção no que os fotistas chamam perspectiva, a profundidade da paisagem, nas paralelas que se encontram no infinito.  Ali, seis dias da semana, com um pezito de nove anos eu ia e voltava até a padaria e não aguentava de canseira.  Barganhava com Deus e dizia:   Meu bom Deus, vamos fazer um negócio?  Eu tenho que ir e vir, num é "mermo";  ai dava um pulinho e um semi-volteio, e agora estava com as costas na ida e a frente na vinda e falava:  Se eu fizer assim eu já estou de volta com pão e tudo;  legal?  Não, respondeu o Senhor;  menino esperto hein?  E deu três toques no meu juízo.  Enfadado e vencido encetei viagem e comigo estava aquela irmã chata que me puxava o cabelo;  dei-lhe um beliscão nas costelas e segui.  

Logo ali adiante ia encontrar o meu destino, como se tivesse dado três pancadinhas em alguma madeira, segundo Saramago.  Era o aramado de frente de uma casa, longuíssimo e armado de florzinhas pequenininhas e azulzinhas;  era na verdade um buquezinho destas florinhas que eu chamava de nuvens e eram muitas.  Enxerguei por entre as brechas que uma branda brisa buliçosa deixava entrever, um rostinho lindo de viver, branquinho e redondinho com dentes pequenininhos que com algum acanho se escondiam.  Os lábios rosados  formavam a linda boquinha que guardava aqueles dentes.  Para aumentar a paixão louca que de mim se apossou, a lindíssima donzela passou uma língua cor-de-rosa, só a pontinha entre os dentes e a liberdade, e a luz que dali se espargiu, iluminou pequeninos pontos de sardentos pretos sobre o branco, que me perfilou sereno!  Estava apaixona d-o-dó.  Só não dancei porque a implicante puxadora de cabelos estava defronte de mim, mas mesmo assim dei-lhe um chute na canela.  Ela que se comportasse e não atrapalhasse meu casamento que "nóis" ia se casar.  

A bela santa cujos olhos cintilavam perguntou como Marta perguntava a Jesus de Nazaré:  Como é o seu nome?  E eu respondi; aceito sim Senhora.  Eu queria casamento pra já.  Eu delirava e minha irmã espalhafatosa me segurou pelo nariz e sentiu que eu estava com febre, porque me conhecendo como conhecia sabia que minhas explosões de amor eram essencialmente narigais.  Gioconda foi o nome que dei à minha namorada, mas eu já a  chamava de de Gioca e ela gostava.  Se aproximou e passou a sua destra na minha face cavilosa;  ficaram duas listras brancas no meio da sujeira que me acompanhava.  Desmaiei, mas antes dei dois beliscões nos dois pequenos peitos de minha antipática irmã.  E com vergonha do desmaio, pedi desquite e me separei para nunca mais voltar.

Fumos, pegamos o pão e regredimos pela calçada contrária para não haver recaída.  Quando passei defronte do cobertor de nuvens, virei o rosto pra parede que me acolhia e assoviava com estridência com espírito de zombaria;  minha testa estava na parede mas meus olhos reverteram-se para trás e nada enxerguei porque estava olhando para dentro de minha caveira;  como eu tinha medo de caveira, disparei na carreira com a bestada atrás de mim, e cheguei em casa antes dela.  Miserável, gritava eu, me deixaste viúvo antes mesmo de me casar.  Vou te rogar uma praga:  hás de casar com o primeiro jumento da vizinhança que por aqui aparecer pedindo teu casco em casamento.







DEVANEIOS - DE MEUS 9 ANOS (1)(140514/16)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Bater Uma Chapa Era Posar Para Foto
A MESMA COISA QUE TIRAR RETRATO (?)
Sumiço Lento Da Vida

quarta-feira, 4 de maio de 2016


DEVANEIOS- DE MEUS NOVE ANOS (1) (040514)

Tenho Cara De Antigamente, Quando Aos Nove Anos Está-Se Descobrindo O Mundo
ESCORREGOS ACONTECEM NESTA IDADE

domingo, 4 de maio de 2014


DEVANEIOS - DE MEUS 9 ANOS - (1) (040514)

Minha Casa à  D, Parque Amorim, 1501, Recife - PE, entre 1940/1946
Ao Centro 
Rua Joaquim Nabuco, onde desfilou o féretro de Demócrito e os pracinhas da FEB
à  E, Igreja da Capunga

M E M Ó R I A



Mirtô e Marlu, Edélvio (eu) e  Élvio -1943 (quatro irmãos)
Em Baixo, Edélvio (eu), Marlu, Élvio e atrás Mirtô

Em Baixo, (eu) Edélvio, o biografado


Estou ai, sentadinho em cima de meus nove anos, doido para voltar `'a minha normalidade impulsiva, mesmo quando me taxavam de "impossível".  O joelho casquento me entrega.  A cara de anjo é um disfarce da minha incomodação, desde que me cortaram as asas.  Vejam que chique que me fez o Davi, seminarista (protestante) no seu internato e na sua maldita timidez de alfaiate;  aquele escudo bordado colorido sobre o bolso do paletó;  a camisa de seda e a minha inocência mesmo assentada num azougue.  Eu era feliz, menos quando estava no castigo;  meu pai não tinha noção do tempo no uso da palmatória e se a apenação fosse ficar sentado numa cadeira de espaldar altíssimo, permitia-me um travesseiro sobre as coxas, as costas me doíam, eu dormia, me agachava sem descer daquele trono e ele não se comovia e acho que tinha amnésia.

Esse conjunto me acompanhou por muitos anos;  ao domingo, o levava ao banheiro e o punha sobre uma cadeira.  Aos gritos cantava "Helena, Helena vem me consolar" e levava um tempo imenso naquele desentoo e me esfregava com muito sabonete Eucalol, depois que guardava suas estampas com a mitologia grega toda impressa, que "seu" Edgar da Loja Azul lá em Olinda,  guardava pro seu freguês quando eu ia lá pagar o que devia.  Esse hábito de respeito pelo patrimônio alheio que guardo até hoje, é a resposta desse ato de conluio de meu Pai com o "seu" Edgar que nos dava conta de crédito avalizada e nos incutia seriedade nas relações comerciais.  `'A cada um dos quatro irmãos que deixava de urinar no colchão, Papai nos dava uma cama "Patente", linda de viver. e a minha era "cinta azul".  Eu tinha sensibilidade de navegar nessa coisas de cada dia e saboreava seu valor, com devoção.

O risco que corre o pau, corre o machado e meu conjunto que tanta alegria me dava na Escola Dominical, nos autos de Natal e tudo mais, foi testemunha de algum fato muito triste e fortemente registrado por mim, naquela infância-adulta.  Nós quatro éramos livres para ir onde quisesse;  Naquele tempo, não fosse a guerra, que não nos impressionava com seu valor funesto, tínhamos Paz Social, isto é, não se via a hediondez e brutalidade que se vê hoje.  Eu ia com meus nove anos e voltava sem arranhá-lo.  Cumprida as obrigações religiosas da manhã do domingo, saia eu com meus mistérios, segredos só meus.  Uma coisa confesso, em se tratando de memórias, em nossa casa não se via muita afetividade, era cada um por si, assim eramos os quatro, cada qual com seus amigos pelos quatro cantos.  Almocei e sai com meu terno branco;  domingo, dia morto, tudo sem vida.  Passei em frente da Igreja da Capunga, fechada.  Fechados os portões imensos do CAB.  Na lateral da igreja, o Pingalho fechado, mórbido com o cheiro que vazava por baixo da entre-porta, de aguardente ardida que os bêbados jogavam ao chão em louvor dos espíritos.  Lá adiante entornei `a direita;  A Baixa Verde, um baixio lodento, insalubre, sempre úmido e molhado.  Lá morava Mathanias, minha colega de CAB e também Gladstone, um gordinho atarracado, mais velho que eu, filho de um coronel da Polícia, também baixinho;  seu filho era míope severo, consumia perenemente X-9, revista de detetives e sem desenhos que nem me agradava, mas ele me deixava ouvir num rádio de baquelite, que tinha de se esperar que aquecesse as válvulas para ter som, e um cheiro bom invadia a sala, as aventuras de Tarzan e O Vingador.  Que boas memórias essas.

La adiante estava no Jardim do Derby, passeio lorde de recifenses classe A.  Minha mentira era um bico de pão dormido em um bolso e uma linha em torno do pulso que descia com um alfinete encurvado e preso à linha pela cabeça, onde eu punha sobre a água de um grande tanque que lá havia começando do chão até meu peito e eu olhando pro céu solenemente deixava o guarda passar por minhas costas.  Piabas enchiam aquele tanque e curtiam pão dormido e por sua gulodice perdiam também a vida.  Quanto pecado meu para uma tarde de domingo!  Que Deus me perdoe e também a piabinha;  não tinha eu noção do assassinato que cometia, para depois deixá-la morta na areia.  O castigo viria já.  Andava, corria, olhava tudo, sempre sozinho, sentia a brisa e o vento no bambual e ia até o loré.  Era uma enorme tábua com duas alças em cada cabeceira, com um meninão grande de cada  lado impulsionando-a às alturas e o miolo cheio, cheinho mesmo, de meninos;  e quem estava lá no meio?  Eu, de paletó e tudo;  com medo, mas aguerrido.  Uma gritaria insana e lá eu me despenquei e o ferro da alça rompeu a lateral de minha calça de alto a baixo.  Eu berrava, mas de vergonha, de poder ter as minhas vergonhas expostas.

Corria com uma mãozita segurando as duas abas do que agora mais parecia uma saíta.  E fazia o inverso do passeio;  Derby, Baixa Verde, Pingalho, Capunga, CAB  e entrando de chofre casa
à dentro, num choro copioso, mas agora do castigo que poderia ter.  Quem estava lá, como meu anjo guardião, era meu Tio Artur, branquinho, franzinozinho, de roupa branca no seu comum, de barbas e bigodes brancos e de um coração-ternura do tamanho de uma mãe.  mandou-me trocar de roupa e providenciou o conserto daquela traiçoice sem que ninguém mais soubesse;  e me deu colo, me deu afago, apertou-me a mão;  e que angústias não cessam com tal emplastro?